União Europeia deve enfrentar “tempestade ideal” após eleição na Hungria
Senador russo diz que UE terá de financiar a Ucrânia, lidar com energia cara e ampliar gastos militares após derrota de Orbán
247 - A União Europeia pode enfrentar uma “tempestade ideal” após o resultado das eleições parlamentares na Hungria, com impacto direto sobre sua economia e política externa. Segundo avaliação do vice-presidente do Conselho da Federação da Rússia, Konstantin Kosachev, o bloco europeu deverá lidar simultaneamente com novos custos relacionados à Ucrânia, aumento nos preços de energia e maior pressão por gastos militares.
De acordo com informações divulgadas pela agência TASS, o cenário foi analisado por Kosachev após a vitória do partido de oposição húngaro Tisza, que conquistou 138 das 199 cadeiras no Parlamento nas eleições realizadas neste domingo (12), levando o primeiro-ministro Viktor Orbán a reconhecer a derrota de seu partido, o Fidesz.
O senador russo afirmou que a União Europeia terá de mobilizar cerca de 90 bilhões de euros para apoio à Ucrânia, valor que, segundo ele, não está disponível em Bruxelas nem nas capitais europeias. Ele destacou que os recursos deverão ser obtidos por meio dos contribuintes do bloco.
Kosachev também alertou para o impacto do cenário internacional sobre os custos internos na Europa. “Os preços nos postos de gasolina e o custo dos serviços públicos só aumentarão na UE devido ao que está acontecendo no Oriente Médio, sem contribuir para o otimismo das famílias ou dos corredores do poder”, afirmou.
Outro ponto destacado pelo parlamentar russo é a pressão pela ampliação dos gastos militares. Segundo ele, a União Europeia será obrigada a atender demandas dos Estados Unidos, especialmente do presidente Donald Trump, o que pode elevar ainda mais os custos públicos.
Na avaliação de Kosachev, esse conjunto de fatores tende a aprofundar os problemas estruturais do bloco europeu. Ele afirmou que a chamada diversificação econômica voltada aos interesses dos Estados Unidos poderá agravar a situação da União Europeia, especialmente diante da continuidade das políticas anti-Rússia.
Apesar da mudança política na Hungria, o senador considera que os desafios enfrentados pelo bloco permanecerão. “Orbán está saindo, e os problemas permanecerão, além disso, crescerão como uma bola de neve”, concluiu.


