União Europeia estuda incluir adesão da Ucrânia ao bloco em eventual acordo de paz
Bloco europeu avalia conceder direitos parciais imediatos e estabelecer prazos para acelerar entrada da Ucrânia
247 - A União Europeia (UE) está elaborando diferentes alternativas para garantir que a adesão da Ucrânia ao bloco seja incorporada a um eventual futuro acordo de paz. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (9), pela agência Bloomberg, que citou fontes familiarizadas com as discussões em Bruxelas.
De acordo com a TASS, que repercutiu a reportagem da Bloomberg, os países europeus analisam a possibilidade de oferecer à Ucrânia acesso imediato a determinados direitos de um Estado-membro, mesmo antes da conclusão formal do processo de adesão. A ideia seria conceder benefícios parciais como forma de reforçar o compromisso político do bloco com Kiev em meio às negociações de paz.
Segundo a Bloomberg, a UE também pretende estabelecer prazos mais claros e objetivos para que a Ucrânia cumpra as exigências necessárias para avançar no processo de entrada. A proposta teria como objetivo evitar que o caminho de adesão se arraste por anos, como ocorre historicamente com outros países candidatos.
Entre as opções em debate, Bruxelas considera permitir que um eventual acordo de paz mantenha a Ucrânia no atual percurso de adesão, sem alterações, ou então introduzir um período de transição que possibilite uma integração gradual ao bloco. A intenção seria garantir que a entrada da Ucrânia seja apresentada como parte estruturante de uma solução política para o conflito.
A discussão sobre acelerar a adesão ucraniana já havia ganhado força após reportagem do Financial Times, que revelou que um plano de paz apresentado pela Ucrânia aos Estados Unidos previa a entrada do país na UE até 1º de janeiro de 2027. Segundo o jornal, a União Europeia apoiaria um processo mais rápido, mesmo que isso exigisse uma “revisão completa do seu processo de adesão”.O presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, também declarou anteriormente que espera ver o país integrado ao bloco até 2027, reforçando a pressão por um cronograma acelerado.
Apesar das intenções políticas, o ingresso de um novo país na UE costuma ser um processo longo e altamente técnico. As negociações envolvem a harmonização das leis nacionais com a legislação europeia, exigindo reformas econômicas, institucionais e jurídicas profundas. Em geral, o procedimento dura mais de uma década, embora não exista um prazo rígido estabelecido.
O caso da Turquia é frequentemente citado como exemplo da lentidão do processo. O país iniciou negociações formais de adesão em 2005 e, mais de 20 anos depois, ainda não há perspectiva concreta de conclusão ou de entrada no bloco europeu.
O debate sobre a Ucrânia, no entanto, ocorre em um contexto político distinto, marcado pela guerra e pelo alinhamento estratégico entre Kiev e os governos europeus. Por isso, a possibilidade de concessões excepcionais e mecanismos transitórios vem sendo discutida como forma de consolidar a integração ucraniana ao Ocidente e inserir esse compromisso em um eventual acordo de paz.


