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Vance diz que EUA só permitem venda de petróleo venezuelano se atender a seus interesses

Ao comentar a política dos EUA em relação à Venezuela, Vance foi direto ao explicar a estratégia adotada por Washington

Vice-presidente dos EUA, JD Vance - 18/03/2025 (Foto: REUTERS/Kent Nishimura)

247 - O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou nesta quarta-feira (7) que Washington busca exercer controle total sobre a indústria petrolífera da Venezuela e condiciona a venda do petróleo do país aos interesses nacionais norte-americanos. As informações são da RT.

Ao comentar a política dos EUA em relação à Venezuela, Vance foi direto ao explicar a estratégia adotada por Washington. “As pessoas sempre perguntam: 'Como vocês controlam a Venezuela?' Estamos vendo isso em tempo real: a maneira como controlamos a Venezuela é controlando o dinheiro. Controlamos os recursos energéticos. E dizemos ao 'regime': 'Vocês têm o direito de vender o petróleo enquanto isso servir aos interesses nacionais dos EUA. Vocês não podem vendê-lo se isso não servir aos interesses nacionais dos EUA'”, afirmou.

]Na mesma entrevista, o vice-presidente exaltou os métodos utilizados pela Casa Branca para pressionar governos estrangeiros sem recorrer, segundo ele, ao uso direto de força militar envolvendo cidadãos norte-americanos. “É assim que exercemos uma pressão incrível sobre aquele país sem desperdiçar uma única vida americana, sem colocar em risco nenhum cidadão americano”, disse, ao se referir ao bloqueio econômico e ao controle sobre a indústria petrolífera venezuelana.

As declarações ocorrem poucos dias após um ataque armado realizado pelos Estados Unidos em território venezuelano, no sábado (3). De acordo com o governo de Caracas, a operação atingiu áreas civis e militares em Caracas e nos estados de Miranda, La Guaira e Aragua, deixando mortos entre militares e civis. As autoridades venezuelanas classificaram a ação como uma “gravíssima agressão militar”.

Após a operação, o presidente Nicolás Maduro foi detido e transferido para os Estados Unidos. O governo venezuelano descreveu o episódio como um “sequestro” e informou que o Tribunal Supremo de Justiça determinou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse interinamente a Presidência. Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, estão detidos em Nova York e aguardam julgamento por acusações que incluem conspiração narcoterrorista e tráfico de drogas.

No domingo (4), o presidente Donald Trump afirmou ter conversado com “basicamente todas” as companhias petrolíferas norte-americanas sobre a possibilidade de atuação na Venezuela. Segundo ele, as empresas estariam dispostas a investir bilhões de dólares para reconstruir o sistema petrolífero do país e retomar a extração de petróleo. “Eles estão muito ansiosos para entrar”, disse Trump, ao afirmar que as companhias “vão investir bilhões de dólares e extrair o petróleo do solo”.

Apesar disso, nesta quarta-feira (7), a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) anunciou que está em negociações com o governo Trump para a “venda de volumes de petróleo bruto”, dentro do que chamou de relações comerciais existentes entre os dois países. A PDVSA está sob sanções e medidas coercitivas impostas por Washington há mais de uma década.As alegações de controle exclusivo dos EUA sobre os recursos venezuelanos foram contestadas por outros países. China e Espanha afirmaram publicamente que a Venezuela é um Estado soberano e que seus recursos naturais, incluindo o petróleo, pertencem exclusivamente ao povo venezuelano.

A crise também gerou reações internacionais. A Rússia condenou o ataque norte-americano e pediu a libertação de Nicolás Maduro e de sua esposa, defendendo que a Venezuela tenha o direito de decidir seu próprio destino sem interferência externa. Poucas horas após a ofensiva, Trump ainda advertiu que Cuba, México e Colômbia poderiam se tornar alvos de futuras ações de Washington.Em mensagem dirigida “ao mundo e aos EUA”, a presidente encarregada Delcy Rodríguez reiterou a “vocação pela paz” da Venezuela, defendeu o princípio da “não interferência” e afirmou que o país está disposto a dialogar com Washington em uma agenda de cooperação baseada no direito internacional e no desenvolvimento compartilhado.

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