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Violência do ICE acirra disputa orçamentária no Congresso dos EUA e pressiona governo Trump

Democratas ameaçam barrar orçamento do Departamento de Segurança Interna após assassinatos em Minneapolis

Congresso dos Estados Unidos (Foto: Scott Applewhite / Pool via Reuters )

247 - O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a enfrentar maior pressão política em Washington após o assassinato de Alex Pretti, cidadão estadunidense baleado por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE, na sigla em inglês), em Minneapolis. O episódio, que ocorreu no último sábado (24), aprofundou o impasse em torno da aprovação do orçamento federal e elevou o risco de uma nova paralisação do governo. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

A repercussão do caso, que representa o segundo assassinato de um cidadão estadunidense por ação do ICE na cidade, levou a Casa Branca a recalibrar seu discurso em meio às negociações para aprovar o orçamento até sexta-feira (30). O pacote orçamentário em debate inclui os recursos do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), responsável pelo ICE.

Secretária da pasta é questionada no Congresso

A secretária da pasta, Kristi Noem, passou a ser alvo de questionamentos no Congresso. Segundo o The New York Times, ela ficou cerca de duas horas respondendo a perguntas sobre as táticas adotadas pela agência. Parlamentares democratas defendem a abertura de um processo de impeachment, enquanto Trump nega que ela deixe o cargo.

Ao longo da segunda-feira (26), o governo sinalizou possíveis mudanças ao anunciar a saída de Gregory Bovino do comando da operação do ICE em Minneapolis. Conhecido por defender ações violentas de deportação, Bovino foi afastado da função. De acordo com a revista The Atlantic, ele retornará ao posto que ocupava anteriormente como oficial da agência de proteção de fronteiras, o CBP, na Califórnia, com expectativa de aposentadoria em breve.

Disputa orçamentária se intensifica

No Senado, o projeto de lei orçamentária prevê o repasse de mais US$ 10 bilhões ao ICE, além dos US$ 76 bilhões destinados à agência ao longo de quatro anos, conforme estabelecido no pacote que Trump chamou de "big beautiful bill", expressão traduzida como "grande e belo projeto de lei".

Mesmo sendo minoria no Congresso, democratas afirmam que o momento é de pressionar o governo. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, anunciou voto contrário ao pacote fiscal. "O projeto de lei do DHS é lamentavelmente inadequado para controlar os abusos do ICE", declarou.

A senadora Elizabeth Warren também afirmou que votará contra o orçamento. "Agentes sem treinamento aterrorizam nossas comunidades. Nós não deveríamos dar um centavo a mais para esta agência desonesta", disse.

Governo negocia retirada de agentes de Minneapolis

A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que a retirada dos agentes de Minnesota dependeria da entrega de todos os supostos criminosos e imigrantes em situação irregular que vivem no estado, governado por democratas. Horas depois, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, declarou que conversou com Trump e que parte dos agentes do ICE começariam a deixar a cidade nesta terça-feira.

Entre republicanos, surgiram críticas às táticas adotadas pelo ICE. O senador Bill Cassidy, da Louisiana, classificou a morte de Pretti como "extremamente perturbadora". "A credibilidade do ICE e do DHS está em risco. Deve haver uma investigação conjunta completa, conduzida por autoridades federais e estaduais, na qual possamos confiar para apresentar a verdade ao povo americano", afirmou.

Contradições sobre a abordagem que resultou em morte

Ainda assim, a posição predominante entre aliados de Trump sustenta que os agentes foram colocados em risco pelas manifestações em Minneapolis, iniciadas no começo do mês. Na ocasião, outra cidadã estadunidense, Renee Nicole Good, também foi assassinada a tiros por um agente do ICE.

Após a morte de Pretti, autoridades federais afirmaram inicialmente que ele teria ameaçado os agentes com uma arma. Vídeos divulgados posteriormente mostram que ele apenas filmava a ação no momento da abordagem.

Os senadores Ted Cruz e Michael McCaul pediram uma investigação para esclarecer o caso. Cruz disse ter ficado chocado com as imagens, enquanto McCaul afirmou que o inquérito é necessário para "manter a confiança dos americanos no sistema de Justiça".

Impacto político se estende além do Congresso

No campo republicano, o impacto político do episódio levou o pré-candidato ao governo de Minnesota Chris Madel a retirar sua candidatura. "Não posso apoiar a vingança prometida pelos republicanos contra os cidadãos do nosso estado, nem posso me considerar membro de um partido que faria isso", declarou.

Apesar das divergências, há parlamentares que insistem na necessidade de aprovar o orçamento para evitar um novo "shutdown". A senadora republicana Katie Britt, do Alabama, pediu apoio ao pacote e lembrou que a última paralisação do governo, no ano passado, durou 43 dias. "Sabemos pela história recente que as paralisações do governo não ajudam ninguém e não são do melhor interesse do povo americano", afirmou.

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