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Xi diz a Trump que China e EUA devem ser parceiros – e não rivais

Presidente chinês defende nova era nas relações bilaterais e afirma que cooperação entre as duas potências é essencial para a estabilidade global

Xi diz a Trump que China e EUA devem ser parceiros – e não rivais (Foto: Xinhua)
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247 – O presidente da China, Xi Jinping, afirmou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que Pequim e Washington devem atuar como parceiros estratégicos e não como rivais, em meio a um cenário internacional marcado por instabilidade geopolítica e profundas transformações globais. As declarações ocorreram durante encontro entre os dois líderes, nesta quinta-feira 14, segundo informações divulgadas pelo governo chinês.

Xi destacou que o mundo atravessa uma fase de mudanças históricas sem precedentes e alertou para os riscos de confrontação entre as grandes potências. Em sua fala, o líder chinês questionou se China e Estados Unidos serão capazes de evitar a chamada “Armadilha de Tucídides” — conceito utilizado nas relações internacionais para descrever o risco de guerra entre uma potência emergente e uma potência dominante.

“O mundo chegou novamente a uma encruzilhada. China e Estados Unidos podem superar a Armadilha de Tucídides e criar um novo paradigma de relações entre grandes potências?”, questionou Xi. Ele acrescentou que os dois países precisam responder juntos aos desafios globais e oferecer maior estabilidade ao planeta.

Xi defende cooperação e prosperidade compartilhada

Durante o encontro, Xi Jinping enfatizou que os interesses comuns entre China e Estados Unidos são maiores do que suas divergências. Segundo ele, o sucesso de um país representa oportunidade para o outro e uma relação bilateral estável beneficia toda a comunidade internacional.

“Nós devemos ser parceiros, e não rivais. Devemos ajudar um ao outro a alcançar o sucesso e prosperar juntos”, afirmou o presidente chinês.

Xi também declarou esperar que os dois governos consigam construir uma nova forma de convivência entre grandes potências no século XXI. O líder chinês afirmou que pretende trabalhar em conjunto com Trump para “definir o rumo” das relações bilaterais e abrir um novo capítulo diplomático entre as duas maiores economias do mundo.

Relação China-EUA é central para a estabilidade global

A fala de Xi ocorre em um contexto de forte tensão internacional, marcado por disputas comerciais, rivalidade tecnológica, guerras regionais e crescente polarização geopolítica. Ainda assim, Pequim tem buscado reforçar a mensagem de que a cooperação entre China e Estados Unidos é indispensável para enfrentar desafios globais como mudanças climáticas, conflitos armados, segurança energética e estabilidade financeira internacional.

Xi afirmou que 2026 pode se tornar um “ano histórico” para as relações sino-americanas caso os dois países consigam construir bases sólidas de diálogo e cooperação.

“Estou ansioso para discutir questões importantes para nossos dois países e para o mundo, e trabalhar com você para conduzir o grande navio das relações China-EUA”, declarou o presidente chinês a Trump.

China tenta afastar lógica de confronto

Nos últimos anos, Pequim vem insistindo na defesa de um modelo de multipolaridade e cooperação internacional, criticando a lógica de blocos e confrontos herdada da Guerra Fria. A diplomacia chinesa sustenta que a rivalidade entre potências pode gerar instabilidade sistêmica e prejudicar o crescimento econômico global.

A referência de Xi à “Armadilha de Tucídides” também carrega forte peso simbólico. O conceito ganhou projeção após ser utilizado por analistas internacionais para descrever o risco de conflito estrutural entre China e Estados Unidos diante da ascensão econômica e tecnológica chinesa.

Ao defender parceria em vez de rivalidade, Xi busca sinalizar que Pequim pretende ampliar sua influência internacional sem entrar em rota inevitável de confronto militar ou político com Washington.

Trump mantém papel central nas relações bilaterais

Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, voltou ao centro da diplomacia global após retornar à Casa Branca. Seu governo vem adotando postura firme em temas comerciais e tecnológicos, mas também tem sinalizado disposição para negociações diretas com Pequim em áreas estratégicas.

A reunião entre Xi e Trump é vista como um dos movimentos diplomáticos mais relevantes do cenário internacional atual, dada a importância das relações entre China e Estados Unidos para a economia mundial e para o equilíbrio geopolítico do século XXI.

Entenda o que é a Armadilha de Tucídides

A chamada “Armadilha de Tucídides” é um conceito utilizado nas relações internacionais para descrever o risco de guerra entre uma potência dominante e uma potência emergente. A expressão foi popularizada pelo cientista político norte-americano Graham Allison, da Universidade Harvard, a partir dos escritos do historiador grego Tucídides sobre a Guerra do Peloponeso.

Segundo Tucídides, o conflito entre Atenas e Esparta tornou-se inevitável porque o crescimento do poder ateniense despertou medo na potência dominante da época, Esparta. A partir dessa interpretação histórica, Allison aplicou o conceito à disputa contemporânea entre Estados Unidos e China.

Na prática, a teoria sugere que, quando uma potência em ascensão ameaça ultrapassar uma potência estabelecida — econômica, militar ou tecnologicamente —, aumenta o risco de confrontação direta, mesmo que nenhum dos lados deseje abertamente uma guerra.

O debate ganhou força especialmente após a rápida expansão econômica chinesa nas últimas décadas. Hoje, a China disputa liderança global em áreas como comércio internacional, inteligência artificial, semicondutores, energia verde e infraestrutura, enquanto os Estados Unidos tentam preservar sua posição hegemônica.

Ao mencionar a Armadilha de Tucídides, Xi Jinping sinaliza que deseja evitar que a competição estratégica entre Pequim e Washington evolua para um confronto estrutural. A mensagem central do líder chinês é a de que as duas maiores potências do planeta precisam encontrar mecanismos de convivência e cooperação capazes de impedir uma escalada de tensões com impactos globais.