Xi Jinping condena "atos unilaterais de hegemonia que minam seriamente a ordem internacional"
Presidente chinês critica agressão militar dos Estados Unidos na Venezuela e diz que “os países devem respeitar os caminhos escolhidos pelos povos”
247 - O presidente da China, Xi Jinping, criticou duramente práticas unilaterais no cenário global ao se manifestar publicamente após a agressão militar dos Estados Unidos contra a Venezuela. Em declaração feita durante um encontro com o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, o líder chinês ressaltou que o sistema internacional vive um momento de profunda instabilidade e alertou para os riscos do uso da força fora dos marcos do direito internacional. A informação foi divulgada pela teleSUR, que acompanha os desdobramentos diplomáticos e políticos da crise envolvendo a Venezuela desde o ataque ocorrido no sábado (3).
Durante a reunião, Xi Jinping destacou o papel das grandes potências na preservação da legalidade internacional. Segundo ele, “o mundo hoje atravessa mudanças e turbulências nunca vistas em um século, com atos unilaterais de hegemonia que minam seriamente a ordem internacional”. O presidente chinês acrescentou que “todos os países devem respeitar os caminhos de desenvolvimento escolhidos independentemente por seus povos”, além de cumprir o direito internacional e os princípios da Carta das Nações Unidas.
As declarações ocorrem paralelamente à posição oficial do governo chinês, que exigiu a libertação imediata do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, sequestrados pelas forças norte-americanas. Para Pequim, a operação conduzida por Washington representa uma violação grave das normas internacionais e dos princípios básicos que regem as relações entre os Estados.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, reforçou essa linha ao afirmar que nenhum país tem o direito de se colocar como “policial” ou “juiz” do mundo, defendendo que a soberania nacional deve ser plenamente protegida contra o uso da força. A posição foi reiterada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, que classificou a ação dos Estados Unidos como um “uso flagrante da força” e uma ameaça direta à paz e à estabilidade da América Latina e do Caribe.
Segundo Lin Jian, essas ações de pressão hegemônica atentam contra a soberania venezuelana e colocam em risco uma região que, segundo a diplomacia chinesa, deve ser preservada como zona de paz. O porta-voz confirmou ainda o apoio de Pequim à convocação de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU e instou Washington a abandonar a via militar, priorizando o diálogo e a negociação.
O governo chinês também assegurou que, independentemente do contexto atual, a cooperação energética e estratégica com a Venezuela seguirá inalterada. De acordo com Lin Jian, essa parceria está amparada pelo direito internacional e se baseia nos princípios da não ingerência e do benefício mútuo. Pequim reiterou que continuará atuando como um parceiro confiável para a região, em defesa da justiça internacional diante das tensões provocadas pela intervenção.



