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Zelensky confirma nova rodada de negociações com Rússia e EUA nesta semana

Conversas mediadas pelos EUA ocorrerão em Abu Dhabi, em meio a incertezas sobre trégua energética e colapso parcial do sistema de aquecimento ucraniano

Delegações da Ucrânia, dos EUA e da Rússia fotografadas durante as negociações em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, em 24 de janeiro de 2026. (Foto: Reprodução/Sputnik/Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos)

247 - As negociações trilaterais apoiadas pelos Estados Unidos entre Ucrânia e Rússia estão programadas para a próxima semana, em Abu Dhabi, em um momento crítico para o país do Leste Europeu, que enfrenta uma intensa onda de frio e sérias dificuldades em seu sistema energético após sucessivos ataques russos. O anúncio foi feito pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, neste domingo (1º), enquanto persistem dúvidas sobre a continuidade do cessar-fogo relacionado à infraestrutura de energia, informa a Reuters.

Segundo Zelensky, as conversas estão marcadas para os dias 4 e 5 de fevereiro e ocorrem sob forte pressão de Washington para que Kiev avance em direção a um acordo que encerre a guerra, que já se aproxima de quatro anos. O governo ucraniano, no entanto, segue resistindo às exigências de Moscou para a cessão de territórios no leste do país, ponto central que travou a primeira rodada de negociações realizada no fim de janeiro.

Em publicação na rede social X, o presidente da Ucrânia afirmou que o país está disposto a dialogar de forma concreta. “A Ucrânia está pronta para uma discussão substantiva, e estamos interessados em garantir que o resultado nos aproxime de um fim real e digno da guerra”, escreveu Zelensky, destacando a expectativa de avanços mesmo diante da pressão militar no campo de batalha.

A situação interna se agravou com a chegada de uma nova frente de frio intenso. Na capital, Kiev, cerca de mil prédios residenciais permaneciam sem aquecimento neste domingo, de acordo com o prefeito Vitali Klitschko. As temperaturas na cidade giravam em torno de -15 °C, enquanto equipes trabalhavam para restabelecer o fornecimento de calor em centenas dos quase 3,5 mil edifícios afetados por uma falha generalizada na rede elétrica ocorrida no sábado.

Embora as autoridades não tenham associado diretamente o apagão a danos provocados pela guerra, o episódio evidenciou a fragilidade do sistema energético ucraniano após meses de ataques russos. A interrupção no fornecimento chegou a atingir também a vizinha Moldávia, ampliando a preocupação regional.

Dois dias antes, o Kremlin havia informado que concordara em suspender ataques contra a infraestrutura de energia até este domingo, a pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Kiev declarou que seguiria a mesma linha. Segundo o governo ucraniano, a trégua deveria se estender até a sexta-feira seguinte.

Apesar da redução de ataques diretos a instalações energéticas nos últimos dias, Zelensky afirmou que a Rússia continua tentando “destruir a logística e a conectividade entre cidades e comunidades” por meio de ofensivas aéreas. No sudeste do país, dois civis morreram durante a noite após um ataque de drone atingir um prédio residencial em Dnipro. Em Zaporizhzhia, seis pessoas ficaram feridas em um bombardeio contra um hospital de maternidade, segundo autoridades regionais.

A previsão meteorológica indica que o frio deve se intensificar ainda mais, com temperaturas em Kiev podendo cair para abaixo de -20 °C. Em meio a esse cenário, a empresa privada de energia DTEK informou ter restabelecido o fornecimento elétrico para cerca de 300 mil residências na região costeira de Odesa, uma das mais afetadas pela recente falha no sistema. Já a operadora nacional Ukrenergo anunciou que cortes programados de energia seguem em vigor em todo o país.

O clima de cautela também é sentido entre a população. Anatoliy Veresenko, veterano de 65 anos que corria em um parque de Kiev, disse acompanhar as negociações com desconfiança. “Conversas são conversas. Esperamos pela paz, mas ainda precisamos lutar e garantir a vitória”, afirmou, refletindo o sentimento de incerteza que domina o país enquanto diplomacia e guerra seguem em paralelo.

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