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Amazon muda hierarquia no Brasil para acelerar decisões e expandir investimentos

Com nova estrutura, gigante americana intensifica a disputa com Mercado Livre e Shopee no comércio eletrônico brasileiro

Logo da Amazon perto de Paris, na França (Foto: REUTERS/Gonzalo Fuentes/Arquivo)

247 - A Amazon anunciou mudanças significativas em sua operação no Brasil, com o objetivo de acelerar suas decisões e intensificar sua atuação no mercado de e-commerce local. Desde o início de 2026, a gigante americana alterou sua hierarquia e aproximou as tomadas de decisão no país da sua sede global, em Seattle (EUA). 

Em entrevista ao Valor na última quarta-feira (22), o executivo Amit Agarwal, vice-presidente sênior de mercados emergentes e de serviços para parceiros de vendas, revelou que o Brasil, agora mais próximo de sua liderança, se tornou um foco ainda maior para a empresa. Agarwal afirmou que, com essas mudanças, o país ganhou mais autonomia e, como resultado, novos investimentos foram direcionados para a operação brasileira.

Até o final de 2025, a Amazon investiu aproximadamente R$ 55 bilhões em infraestrutura física e digital no Brasil. Agora, com a nova estrutura, a expectativa é acelerar ainda mais esse processo. “Acho que o Brasil sempre foi importante para a Amazon, a única diferença é que agora o país está mais próximo de mim, o que reflete a oportunidade que temos em termos de potencial”, destacou Agarwal.

A mudança na estrutura de governança traz uma maior agilidade nas decisões. Antes, qualquer pedido ou decisão importante que partisse do Brasil necessitava passar por dois níveis hierárquicos até chegar à matriz. Agora, com a aproximação de Agarwal à liderança local, o processo de tomada de decisão ficou mais ágil. Essa reformulação na hierarquia também tem impulsionado a expansão logística da Amazon no país, que, em 2026, inaugurou novos centros de distribuição a um ritmo três vezes superior ao ano anterior.

Nos últimos seis anos, a Amazon tem ampliado constantemente sua rede logística no Brasil, e, só em 2025, a empresa abriu cerca de 100 centros. Ao todo, a companhia já conta com 300 centros logísticos espalhados pelo país. Cerca de 100 deles estão localizados nas regiões Norte e Nordeste, enquanto o Sul possui 40, e o Centro-Oeste conta com dez. Esse aumento no número de centros logísticos visa otimizar a operação de e-commerce, um ponto crucial em que o Mercado Livre já se destaca, com R$ 57 bilhões em investimentos programados para 2026.

Além disso, Agarwal revelou que o crescimento do marketplace brasileiro é notável. O volume de itens no marketplace da Amazon no Brasil já ultrapassou o total registrado em 2025, com números que indicam um ritmo acelerado. Essa expansão tem sido uma das prioridades da companhia, que também visa conquistar a liderança no comércio eletrônico do Brasil, mercado onde a empresa ainda está atrás de seus principais concorrentes, como Mercado Livre e Shopee.

O executivo enfatizou que, apesar da competição acirrada, a Amazon não se intimida. “Eu, tendo participado desde o início das operações na Índia e garantido que nos tornássemos líderes naquele país, não tenho dúvidas de que faremos o mesmo aqui”, afirmou Agarwal. Ele também ressaltou o grande potencial do mercado brasileiro, mencionando que apenas 15% das vendas totais de varejo no Brasil são digitais, o que demonstra uma vasta área a ser explorada.

A transformação no setor de e-commerce também pode ser vista na oferta de novos serviços, como o programa "Amazon now", que entrega produtos em até 15 minutos, uma iniciativa ousada que coloca a Amazon ainda mais próxima de seus consumidores. A estratégia é rivalizar com empresas como a Rappi e oferecer um diferencial competitivo em termos de entrega rápida, principalmente em itens de alto giro, como alimentos e produtos de higiene.

Ainda assim, o cenário atual de crescimento no Brasil não é o mesmo que o observado durante a pandemia, quando o mercado digital teve um crescimento explosivo. Agarwal reconheceu que o ritmo de crescimento no setor é mais desafiador atualmente, mas acredita que a Amazon tem as vantagens necessárias para vencer essa competição. "Estamos adicionando opções todos os dias, e tornando as coisas mais rápidas. Então, quando olho para o Brasil, ainda estamos no início", afirmou ele.

A Amazon também tem investido na redução de custos para os vendedores do marketplace. Em setembro de 2025, a empresa isentou todas as taxas de armazenamento e envio do FBA (Fulfillment by Amazon), além de eliminar as comissões para novos vendedores. Segundo Luiz Guanais, analista do BTG Pactual, essa estratégia visa aumentar a densidade logística e a fidelização de pequenas e médias empresas, buscando aumentar a participação no mercado brasileiro.

Com um mercado potencial de R$ 14,8 bilhões, a Amazon encara um cenário de forte concorrência, mas está determinada a seguir seu plano de expansão e se tornar líder do comércio eletrônico no Brasil. "Ainda acreditamos que há muito a ser feito, mesmo nos EUA, que é nossa maior região geográfica", concluiu Agarwal.

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