Auditor deixa Fictor em meio a recuperação judicial
Substituição ocorre após controladora Fictor Holding entrar em recuperação judicial e aumenta pressão sobre governança e divulgação dos balanços de 2025
247 - A Fictor Alimentos (B3: FICT3) comunicou ao mercado que recebeu a renúncia formal da UHY Bendoraytes & Cia Auditores como auditor independente das demonstrações financeiras referentes ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025. A decisão tem efeito imediato e encerra o contrato de prestação de serviços de auditoria.
As informações foram divulgadas pelo site Brazil Stock Guide e constam em comunicado oficial da companhia ao mercado. Segundo o documento, a saída do auditor ocorre em meio ao processo de recuperação judicial da Fictor Holding S.A., acionista controladora da empresa listada, o que amplia a atenção sobre prazos de reporte e práticas de governança.
No comunicado, a UHY justificou a renúncia citando “circunstâncias supervenientes” que impactam diretamente os pressupostos essenciais para a manutenção da relação profissional e das condições regulatórias exigidas para a continuidade dos trabalhos de auditoria, conforme as normas brasileiras aplicáveis. A manifestação faz referência expressa ao processo de recuperação judicial em curso envolvendo a Fictor Holding S.A. e a Fictor Invest Ltda., ambas sob a mesma estrutura de controle.
A renúncia de auditores às vésperas do fechamento ou da divulgação de resultados costuma ser interpretada pelo mercado como um fator sensível, especialmente quando associada a dificuldades financeiras no âmbito do controlador. Embora a Fictor Alimentos e sua acionista majoritária sejam juridicamente distintas, a reestruturação da holding tende a influenciar a percepção de risco entre investidores e credores.
A companhia informou que está envidando “seus melhores esforços” para contratar um novo auditor independente e que manterá o mercado atualizado sobre eventuais impactos na emissão das demonstrações financeiras de 2025.
O episódio reforça o escrutínio sobre a governança corporativa da empresa, em um contexto no qual acionistas minoritários e credores reavaliam sua exposição sempre que riscos de gestão se somam a dificuldades financeiras no nível do controle.


