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PF teme que envio de dados de celulares a Toffoli comprometa outras investigações do Caso Master

Determinação veio após relatório da PF apontar citações ao nome do ministro do STF em aparelho de dono do Banco Master

Dias Toffoli (Foto: Gustavo Moreno/STF | Divulgação/Banco Master)

247 - Agentes da Polícia Federal que atuam nas investigações do caso Master manifestam preocupação com a possibilidade de que o cumprimento integral da determinação do ministro Dias Toffoli comprometa o avanço de diversos inquéritos interligados. A ordem judicial estabelece que todo o material obtido nas perícias de aparelhos celulares seja remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são do G1.

A nova decisão de Toffoli foi tomada após o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentar ao presidente do STF, Edson Fachin, um documento técnico sobre a análise forense realizada no telefone celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Nome do ministro aparece em mensagens

De acordo com os elementos investigativos, o nome do ministro Toffoli aparece mencionado em conversas armazenadas no dispositivo. O teor específico dessas comunicações permanece sob sigilo. Toffoli é o responsável pela relatoria do caso Master na Corte Suprema, cabendo a ele supervisionar o desenvolvimento das apurações.

Segundo a reportagem, cresce a apreensão de que a determinação judicial possa "travar tudo", nas palavras de fontes ligadas às investigações. As análises técnicas dos aparelhos apreendidos e os dados extraídos desses equipamentos são considerados peças-chave para a continuidade de um extenso conjunto de investigações que se entrelaçam. "Ele [Toffoli] só quer falar: 'manda para cá e para tudo'. Só isso", afirmou um investigador. "Difícil entender a decisão", acrescentou outro agente envolvido nas apurações.

Impacto nas investigações

Entre as linhas investigativas que podem sofrer impacto, segundo os profissionais que atuam nos casos, destacam-se a suposta fraude na tentativa de aquisição do Master pelo BRB, o uso irregular de fundos de investimento pela Reag, as operações do Grupo Fictor — que manifestou interesse em comprar o banco e posteriormente solicitou recuperação judicial — e o eventual envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro para tentar influenciar tanto as investigações quanto o processo de liquidação da instituição financeira.

O inquérito que apura a tentativa de compra do Master pelo BRB, banco controlado pelo governo do Distrito Federal, encontra-se em fase avançada, com expectativa de possível finalização até a metade de março.

A reação dos investigadores guarda semelhança com o desconforto manifestado há aproximadamente um mês, quando Toffoli adotou outra medida vista como polêmica: determinou que todos os bens, documentos e materiais recolhidos pela Polícia Federal na segunda etapa da Operação Compliance Zero — focada em Vorcaro e nos negócios do Master — fossem lacrados e guardados na sede do Supremo. O ministro posteriormente reconsiderou a decisão.

Grupo Fictor entrou em recuperação judicial

O Grupo Fictor, conglomerado que reúne uma companhia do segmento alimentício e outra de investimentos, surgiu no cenário do caso Master como potencial comprador do banco às vésperas da decretação de sua liquidação pelo Banco Central, em novembro do ano passado.

Naquele mesmo período, Vorcaro foi detido. Atualmente, o empresário cumpre prisão domiciliar sob monitoramento eletrônico. A transação contava com a participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos e chegou a ser divulgada publicamente, mas foi desfeita com a liquidação do Master.

No início de fevereiro, em um movimento que despertou a atenção dos investigadores, duas companhias do Grupo Fictor protocolaram pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo. O conglomerado negocia o pagamento de mais de R$ 4 bilhões em débitos com credores.

A Polícia Federal, que já indiciou administradores do grupo por crimes financeiros, investiga uma série de condutas atribuídas ao conglomerado, incluindo a suspeita de gestão fraudulenta de instituição financeira.

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