Azul estrutura dívida garantida para concluir recuperação judicial nos EUA
Oferta privada de títulos até 2031 busca quitar financiamento emergencial e reforçar a liquidez da companhia aérea
247 - A Azul S.A. anunciou a estruturação de uma oferta privada de títulos de dívida sênior com garantia, com vencimento em 2031, como parte central de sua estratégia para concluir o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos. A iniciativa ocorre após meses de negociações com credores e tem como objetivo reorganizar a estrutura de capital da companhia aérea e fortalecer sua posição financeira.
As informações foram divulgadas pelo Brazil Stock Guide, que aponta que a emissão será realizada por meio da subsidiária Azul Secured Finance LLP. Segundo a empresa, os recursos obtidos serão destinados prioritariamente à quitação integral do financiamento do tipo debtor-in-possession (DIP), contratado durante o processo de recuperação, substituindo uma linha emergencial de curto prazo por uma dívida com prazo mais longo.
De acordo com a Azul, eventuais recursos remanescentes poderão ser utilizados para apoiar a implementação do plano de reestruturação aprovado pela Justiça norte-americana. O plano tem como metas a redução do nível de alavancagem e o reforço da liquidez, em um cenário marcado por elevada concorrência no setor aéreo e aumento do custo do capital.
As agências de classificação de risco acompanharam a operação. A Moody’s Ratings atribuiu nota B2 tanto para a Azul quanto para os títulos de financiamento de saída da recuperação judicial, com perspectiva estável. Já a Fitch Ratings concedeu um rating esperado de B-, também com perspectiva estável, sujeito à confirmação após a conclusão formal do processo.
A estrutura de garantias envolve aval da própria Azul e de suas principais subsidiárias operacionais. O pacote de colaterais inclui recebíveis de ativos considerados estratégicos pelo grupo, como Azul Fidelidade, Azul Viagens e Azul Cargo. Também fazem parte das garantias marcas registradas, nomes de domínio, propriedades intelectuais e participações societárias em empresas relevantes da companhia.
Segundo a análise publicada pelo Brazil Stock Guide, a operação reforça uma tendência observada em reestruturações de companhias aéreas ao redor do mundo, com a crescente utilização de ativos não diretamente ligados ao transporte aéreo como instrumentos centrais nas negociações com credores. Programas de fidelidade, logística e serviços de turismo passaram a ter papel relevante no suporte aos balanços das empresas do setor.
Com a conclusão da oferta, a Azul poderá substituir um financiamento emergencial por uma dívida de prazo mais longo, ainda que com custo elevado e proteções mais rigorosas aos credores. Para investidores, o movimento reduz a incerteza no curto prazo, mas mantém a exposição a um ambiente competitivo e a um nível de endividamento ainda significativo.
A companhia informou que segue no cumprimento dos marcos previstos em seu plano de reestruturação, priorizando disciplina financeira e continuidade operacional. Os termos finais da emissão permanecem condicionados às condições de mercado, que devem influenciar a demanda dos investidores e o custo efetivo de capital da Azul nos próximos trimestres.


