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Em novo recorde, ouro supera US$ 5,3 mil, enquanto dólar derrete

Alta do metal reflete desconfiança na moeda norte-americana e temores sobre autonomia do Federal Reserve

Barras de ouro 15/09/2023. REUTERS/Alexander Manzyuk/File Photo (Foto: REUTERS/Alexander Manzyuk/File Photo)

247 - O ouro atingiu um novo recorde histórico nesta quarta-feira (28) ao ultrapassar a marca de US$ 5,3 mil por onça, movimento impulsionado pela perda de confiança no dólar e por crescentes preocupações em torno da independência do Federal Reserve. A combinação desses fatores ampliou a procura pelo metal como ativo de proteção em um cenário de incertezas na política monetária dos Estados Unidos, segundo a agência Reuters.

No mercado à vista, o preço do ouro subiu 1,5%, alcançando US$ 5.266,22 por onça por volta das 12h25 GMT, após tocar a máxima inédita de US$ 5.311,31 mais cedo. Na sessão anterior, o metal já havia acumulado valorização superior a 3%, reforçando uma tendência de alta que se intensificou desde o início do ano.

De acordo com Linh Tran, analista sênior de mercado da XS.com, a escalada do ouro não se explica apenas por movimentos de curto prazo. “O ouro está subindo não apenas por causa da ansiedade do mercado, mas também porque a confiança na ordem monetária e fiscal global está migrando para uma postura mais cautelosa”, afirmou.

A valorização do metal ocorre em paralelo à forte desvalorização do dólar, que opera próximo dos menores níveis em quatro anos. A moeda americana perdeu força depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou publicamente a recente queda do dólar, o que acabou tornando o ouro — cotado em dólar — mais atrativo para investidores de outros países.

Trump também declarou que anunciará em breve o nome de seu indicado para a presidência do Federal Reserve e previu que as taxas de juros cairão assim que o novo dirigente assumir o comando da autoridade monetária. Analistas avaliam que esse cenário tende a favorecer ativos como o ouro.

Para Nitesh Shah, estrategista de commodities da WisdomTree, a possível troca no comando do banco central americano pode reduzir a resistência interna a pressões políticas. “A verdade é que qualquer um dos candidatos que será proposto provavelmente será menos resistente do que Powell às exigências de Trump, o que favorece o ouro”, disse.

O ouro, que não oferece rendimento de juros, costuma apresentar melhor desempenho em ambientes de taxas mais baixas. O mercado aposta amplamente que o Federal Reserve manterá os juros inalterados na reunião de política monetária de janeiro, que está em andamento.

Desde o início de 2026, o metal já acumula valorização superior a 20%, ampliando os ganhos recordes registrados no ano passado. Analistas do Deutsche Bank avaliam que o ouro pode atingir US$ 6.000 por onça ainda neste ano, sustentado por uma demanda de investimento persistentemente elevada.

A procura física também segue forte em centros como Xangai e Hong Kong, apesar dos preços recordes. Shah observa, no entanto, que os valores elevados podem ter efeitos distintos sobre o consumo tradicional. “No lado da joalheria, acho que os preços vão enfraquecer a demanda, mas, no momento, os valores elevados podem estar ajudando um pouco o investimento especulativo do varejo”, afirmou.

Entre outros metais preciosos, a prata à vista recuou 0,4%, para US$ 112,59 por onça, após ter atingido o recorde de US$ 117,69 no início da semana, acumulando alta próxima de 60% no ano. A platina subiu 0,4%, para US$ 2.651,90, depois de alcançar máxima histórica de US$ 2.918,80, enquanto o paládio avançou 1,9%, chegando a US$ 1.970,75.

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