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BNDES prepara crédito para setores afetados por tarifas e guerras, diz Mercadante

Presidente diz que nova linha busca proteger empresas com tarifas elevadas nos EUA e impactos de conflitos sobre cadeias produtivas

BNDES prepara crédito para setores afetados por tarifas e guerras, diz Mercadante (Foto: Paulo Preto/BNDES)
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247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prepara uma nova linha de crédito voltada a setores da economia que seguem pressionados pelo aumento de tarifas comerciais e pelos efeitos de guerras sobre cadeias produtivas internacionais. 

O anúncio foi feito pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, nesta terça-feira (12), durante a apresentação dos resultados do banco no primeiro trimestre. Segundo ele, a iniciativa mira segmentos que ainda enfrentam alíquotas elevadas nos Estados Unidos e empresas impactadas por conflitos internacionais.

“Há cinco setores que ainda têm tarifa de 50%. E outros com tarifas acima de 15%, como autopeças. Então, estamos criando uma linha para proteger, para fomentar inclusive a diversificação do comércio desses setores que ainda são afetados”, afirmou Mercadante.

De acordo com o presidente do banco, o BNDES já liberou R$ 19,7 bilhões em crédito para responder aos efeitos do chamado tarifaço. Ele criticou a forma como as medidas foram impostas, destacando o impacto imediato sobre empresas brasileiras.

“Nós tivemos um tarifaço de 50% de um dia para outro, sem nenhuma razão, sem nenhuma negociação prévia”, disse.

Mercadante também relacionou a nova linha de financiamento ao cenário internacional marcado pela guerra entre Rússia e Ucrânia e pelo conflito no Oriente Médio. Segundo ele, essas crises continuam afetando cadeias relevantes para o Brasil, especialmente no setor de fertilizantes.

“Os fertilizantes estão extremamente caros hoje, penalizando o campo. Então, o BNDES precisa fomentar a produção”, declarou.

O presidente do banco citou ainda empresas exportadoras para o Oriente Médio entre as atingidas pelos desdobramentos do cenário externo. Para Mercadante, embora se trate de uma situação distinta da disputa tarifária, os efeitos econômicos também exigem resposta do banco público.

“É um outro tipo de conflito, mas igualmente relevante para as empresas”, afirmou.

A nova linha em elaboração pelo BNDES deve, segundo Mercadante, combinar proteção aos setores mais afetados com estímulo à diversificação comercial, buscando reduzir a exposição de empresas brasileiras a barreiras tarifárias e instabilidades geopolíticas.

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