Cedae anuncia R$ 5 bilhões em saneamento no Rio até 2029
Investimentos focam água, segurança hídrica e infraestrutura no novo ciclo de concessões
247 - A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) planeja investir R$ 5 bilhões até 2029 em obras de modernização e ampliação do sistema de abastecimento de água e saneamento no estado. Os recursos integram o novo ciclo de concessões do setor fluminense e serão direcionados a estações de tratamento, ações de segurança hídrica e expansão da infraestrutura de atendimento.
Segundo o presidente-executivo da Cedae, Aguinaldo Ballon, além do aporte da estatal, as concessionárias privadas devem investir cerca de R$ 30 bilhões, elevando o volume total previsto para aproximadamente R$ 35 bilhões em projetos de saneamento no Rio de Janeiro.
Na avaliação de Ballon, o marco legal do saneamento foi decisivo para destravar investimentos e ampliar a participação do setor privado. “É inconcebível que em 2025 ainda não tenhamos saneamento disponível para toda a população brasileira. O marco legal do saneamento é fundamental para que a gente possa universalizar o saneamento”, afirmou.
Mesmo após a concessão dos serviços, o executivo destacou que a Cedae mantém papel estratégico no sistema. “A Cedae produz a água consumida por 12 milhões de pessoas. Estamos falando do bem mais valioso que tem, que é a água”, disse. A companhia também segue responsável pelo fornecimento e pelo saneamento em municípios do interior do estado.
Ballon ressaltou ainda a experiência acumulada no processo de estruturação das concessões e apontou a necessidade de contratos mais flexíveis e aderentes à realidade operacional. “Por mais bem feito que seja o modelo, sempre haverá situações não reguladas completamente. Então, é importante que os contratos e as modelagens, elas levem em consideração a situação real, com a maior fidedignidade possível de informações”, explicou.
Ao tratar do cenário nacional, o CEO indicou entraves financeiros para a universalização do saneamento no país. De acordo com ele, seriam necessários cerca de R$ 800 bilhões em investimentos, mas o custo elevado do crédito dificulta a execução dos projetos. “A gente vem enfrentando uma taxa de juros altíssima, que é de 15% ao ano. Isso encarece muito o capital. Então, é um desafio a gente ter a perspectiva de uma redução de juros, nesses próximos dois anos, para que esses investimentos estejam disponíveis.”
No contexto do Rio de Janeiro, Ballon identificou gargalos específicos, sobretudo em áreas vulneráveis da região metropolitana, onde a expansão das redes enfrenta dificuldades relacionadas a acesso e segurança. “Há territórios onde o poder público não consegue atuar com normalidade. Superar isso é fundamental para que o saneamento avance”, afirmou.
O executivo também defendeu a integração do saneamento com políticas ambientais e o uso de novas tecnologias. Segundo ele, a Cedae tem investido no monitoramento de mananciais com drones, satélites e sensores, além de priorizar obras com menor impacto ambiental. “Saneamento é um instrumento ambiental potentíssimo. Coletar e tratar esgoto significa deixar de poluir rios e mares”, disse.


