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CEO da B3 aponta cenário favorável para o mercado: "Deus é brasileiro"

Queda do dólar, expectativa de redução da Selic e entrada de capital estrangeiro impulsionam perspectivas para a economia brasileira, diz Finkelsztain

Sede da B3 - 28/06/2018 (Foto: REUTERS/Leonardo Benassatto)

247 - O mercado brasileiro atravessa um momento de convergência rara de fatores positivos, com queda do dólar, perspectiva de redução da taxa de juros e aumento do interesse estrangeiro, o que pode favorecer a reabertura das ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) no país, segundo avaliação do CEO da B3, Gilson Finkelsztain, feita durante evento em São Paulo nesta terça-feira (7), de acordo com a Folha de São Paulo.

Durante o evento promovido pela B3 em parceria com a Anbima, Finkelsztain afirmou que o cenário atual surpreende até mesmo analistas mais otimistas e comparou o momento econômico a um ditado popular. “Parece que Deus é brasileiro”, declarou. Ele destacou que a combinação de fatores — como a valorização do real frente ao dólar e o ambiente externo — cria condições favoráveis para o desenvolvimento do mercado de capitais.

O executivo ressaltou a rápida mudança nas expectativas cambiais. “Se falássemos no início do ano passado, quando tínhamos o dólar a R$ 6,30, que o dólar estaria a R$ 5,15 em abril de ano eleitoral e com o presidente atual [Luiz Inácio Lula da Silva] com chance de reeleição em 50%, seríamos tachados de malucos”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Mas aqui estamos. E com perspectiva de o câmbio cair mais, de queda da Selic ao longo do ano.”

Outro fator citado por Finkelsztain foi a alta do petróleo no mercado internacional, que pode gerar efeitos positivos nas contas externas do país. “Precisamos ver qual será o impacto dos preços do petróleo, mas, para o Brasil, acaba sendo até um ajuste fiscal meio de brinde, ainda que tenha algum respingo na inflação”, disse. “Parece que Deus é brasileiro e estamos começando a surfar nessa onda.”

Segundo ele, esse ambiente também favorece a retomada dos IPOs no Brasil, mesmo diante de incertezas externas, como tensões geopolíticas. O executivo argumenta que investidores estrangeiros têm buscado mercados menos expostos a conflitos internacionais, especialmente em meio às turbulências associadas aos Estados Unidos.

Finkelsztain destacou ainda que os ativos brasileiros continuam com preços atrativos. Para ele, o país se mantém como um destino relevante para investidores internacionais. “A perspectiva me parece de continuidade de entrada de recursos por parte do estrangeiro. E parece que o estrangeiro está dando menos importância para a transição política e acredita que vamos conseguir, de alguma forma, a sustentabilidade fiscal”, afirmou.

Apesar do otimismo, o CEO da B3 fez um alerta sobre a necessidade de ajustes estruturais nas contas públicas no médio prazo. Ele mencionou que medidas recentes do governo para conter o impacto da alta dos combustíveis, como subsídios e desonerações, podem pressionar o orçamento. “A reação do governo para o choque do petróleo é até esperada em ano eleitoral. Ninguém está surpreso com essa atitude”, disse.

O executivo defendeu que o cenário eleitoral pode ser uma oportunidade para discutir mudanças mais profundas a partir de 2027. “Penso menos no curto prazo e mais em como podemos aproveitar o cenário eleitoral para cobrar que, a partir de 2027, tenhamos juros mais baixos, boas empresas, bons investimentos, uma indústria mais sofisticada”, concluiu.

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