CEO da Vale vê enorme potencial na Índia e busca parceiros locais em minerais estratégicos
Gustavo Pimenta projeta expansão do minério de ferro, aposta em centro de blendagem no país e destaca papel do Brasil na transição energética
247 – O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou neste sábado, 21, no Fórum Empresarial Brasil-Índia, em Nova Déli, que a Índia se tornará um dos principais mercados globais para minerais estratégicos e minério de ferro, defendendo a ampliação de parcerias locais como eixo da estratégia da companhia no país.
Ao abordar o papel da mineração na economia global, Pimenta destacou que o setor será ainda mais relevante nas próximas décadas. “Hoje nós vivemos mais e melhor porque algo foi minerado e se a gente está aqui hoje é porque algo foi minerado que permitiu que a gente estivesse aqui junto, conversando, dialogando”, afirmou. Segundo ele, diante da transição energética e da digitalização, “a questão da mineração vai ser ainda mais importante”.
O executivo citou estudos que apontam a necessidade de ampliar a oferta de minerais entre cinco e seis vezes a capacidade atualmente instalada. “Tem a necessidade de aumentar a oferta desses minerais entre 5 a 6 vezes o que a gente tem hoje de capacidade instalada. Então tem um enorme desafio para as mineradoras”, declarou, acrescentando que o Brasil pode assumir posição de liderança nesse processo ao atuar com parceiros que necessitarão desses insumos.
Índia pode se tornar mercado-chave para a Vale
Gustavo Pimenta ressaltou que a presença da Vale na Índia tem crescido de forma consistente. Segundo ele, há três ou quatro anos as vendas no mercado indiano eram reduzidas, mas no ano passado a empresa comercializou 10 milhões de toneladas de minério de ferro no país.
Ele destacou que a Índia produz atualmente cerca de 180 milhões de toneladas de aço por ano, com expectativa de superar 300 milhões de toneladas ao longo da próxima década. “Então tem um volume muito grande para suportar todo o desenvolvimento de infraestrutura, manufatura (…) e toda a parte de mercado imobiliário que sempre é muito demandante também de minério”, afirmou.
O CEO comparou o momento indiano ao que foi observado na China no início dos anos 2000. “A gente vê semelhanças muito grandes com o que a gente observou no início dos anos 2000 na China”, disse, ressaltando que a Vale acompanha historicamente os ciclos de desenvolvimento de diferentes nações.
Minério de alto teor e descarbonização
Embora a Índia possua reservas próprias de minério de ferro, Pimenta afirmou que a oportunidade para a Vale está na oferta de minério de alto teor. “Mas onde que está a oportunidade para a Vale? O fato de a gente oferecer o minério de ferro de alto teor”, declarou.
Segundo ele, esse produto é estratégico para a cadeia siderúrgica por contribuir para a redução de emissões. “É um produto muito favorável, que beneficia muito a cadeia siderúrgica porque permite a descarbonização da siderurgia”, afirmou.
O executivo anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com a MMDC e com a Denny Ports para desenvolver um centro de blendagem na Índia, nos moldes de estruturas já implementadas pela empresa na Malásia e na China.
“Para que a gente possa desenvolver um centro de blendagem semelhante ao que a gente já fez em outros mercados (…) para que a gente possa trazer o produto de alto teor brasileiro (…) e a gente possa blendar o nosso produto com o produto indiano para oferecer uma melhor solução para os nossos clientes”, explicou.
A companhia estuda alternativas tanto na costa leste quanto na costa oeste do país, vislumbrando crescimento expressivo da participação da Vale no mercado indiano nos próximos anos.
Níquel, cobre e minerais críticos
Gustavo Pimenta também destacou o papel da Vale nos chamados minerais críticos. Segundo ele, a empresa é o maior produtor de níquel do mundo ocidental e fornece cerca de 60% do níquel consumido no mercado americano.
Além disso, afirmou que a companhia é um operador relevante no cobre e trabalha para dobrar a capacidade de produção no Brasil. “A gente vem trabalhando muito fortemente para crescer a nossa oferta de cobre para também ser capaz de ofertar os minerais críticos para a transição energética, para a inteligência artificial”, declarou.
Ele observou que já há diálogos com clientes indianos interessados nesses insumos, fundamentais para as próximas décadas.
Parcerias como estratégia central
Ao concluir, o CEO reforçou que a Vale busca desenvolver o mercado indiano em parceria com atores locais. “A Vale tem essa capacidade de sempre entrar nos mercados com o olhar de buscar parcerias, de buscar parceiros investidores locais que possamos juntos desenvolver um novo mercado e possamos crescer”, afirmou.
“Eu acho que a oportunidade aqui é enorme e contem com a Vale nessa jornada”, concluiu Gustavo Pimenta, sinalizando que a Índia poderá se tornar um dos principais destinos do minério brasileiro e dos minerais estratégicos produzidos pela companhia.


