Chinalco e Rio Tinto acertam compra do controle da CBA por R$ 4,7 bilhões
Negócio transfere o comando de uma das maiores produtoras de alumínio do Brasil e marca mudança estratégica do grupo Votorantim
247 - A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), listada na B3 sob o código CBAV3, anunciou que seu acionista controlador firmou acordo para vender a totalidade de sua participação na empresa a um consórcio liderado pela Aluminum Corporation of China (Chinalco), em parceria com a multinacional anglo-australiana Rio Tinto. A operação prevê a transferência do controle de uma das maiores produtoras de alumínio do país e está avaliada em cerca de R$ 4,7 bilhões, segundo informações divulgadas pelo Brazil Stock Guide.
O acordo envolve a venda de 446,6 milhões de ações, o equivalente a 68,6% do capital total e votante da CBA, ao preço-base de R$ 10,50 por ação. O valor final da transação ainda será ajustado pela variação do CDI entre a assinatura e a conclusão do negócio, além de sofrer dedução de eventuais dividendos ou outras distribuições pagas ao vendedor desde 30 de junho de 2025. O pagamento será realizado integralmente em dinheiro no fechamento da operação.
A conclusão da compra está condicionada à obtenção de uma série de autorizações regulatórias no Brasil e no exterior. Entre elas, está a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), além de aval de autoridades de concorrência da China, Alemanha, Coreia do Sul e Uruguai. O negócio também depende de liberações adicionais de órgãos reguladores do setor elétrico brasileiro, reflexo da elevada dependência da produção de alumínio de contratos de energia de longo prazo e de operações intensivas em consumo elétrico.
A venda do controle da CBA evidencia uma mudança mais ampla na estratégia do grupo Votorantim, conglomerado fundado em 1918 e ainda controlado pela família Ermírio de Moraes. Historicamente associado à indústria pesada e a investimentos de longo prazo no setor produtivo nacional, o grupo vem reduzindo sua exposição a atividades industriais mais cíclicas, direcionando capital para negócios considerados menos voláteis e com maior potencial de escala global.
Esse movimento também reforça o debate sobre a perda de competitividade da base manufatureira brasileira, especialmente em segmentos de alto consumo energético, como o alumínio. O simbolismo da operação é significativo: Antônio Ermírio de Moraes, patriarca histórico do grupo, era um defensor público e pessoal da CBA, frequentemente apontada por ele como um pilar estratégico do desenvolvimento industrial do país.
De acordo com a legislação societária brasileira, os compradores deverão lançar uma oferta pública de aquisição obrigatória pelas ações remanescentes, garantindo tratamento equitativo aos acionistas minoritários. O consórcio informou que, no momento, pretende conduzir também uma oferta para fechamento de capital, simultaneamente à oferta obrigatória, embora essa decisão possa ser reavaliada após a efetiva mudança de controle.
Para a Chinalco, a aquisição amplia o acesso a ativos de bauxita, alumina e alumínio primário fora da China, alinhando-se à estratégia de Pequim de assegurar recursos estratégicos em um contexto de cadeias globais de suprimento mais restritas. Já para a Rio Tinto, o negócio fortalece sua presença no Brasil, país cada vez mais visto como estratégico para a produção de metais ligados à eletrificação e à transição energética.
No caso da CBA, a passagem de um controle doméstico industrial para uma estrutura compartilhada entre capital estatal chinês e uma das maiores mineradoras globais representa um ponto de inflexão relevante em termos de governança corporativa, alocação de capital e definição de estratégia de longo prazo.


