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Cosan não acompanhará Shell em aporte na Raízen, diz Valor

Shell prevê injetar R$ 3,5 bilhões na companhia, enquanto Rubens Ometto aportará R$ 500 milhões via holding Aguassanta

Raízen (Foto: Reuters)

247 - O grupo Cosan não deverá acompanhar a Shell no aumento de capital da Raízen, em meio às negociações para reforçar a estrutura financeira da companhia do setor sucroenergético. A informação foi divulgada pelo jornal Valor Econômico nesta terça-feira (3), com base em fontes a par das tratativas.

Segundo a reportagem, a Shell se comprometeu a aportar R$ 3,5 bilhões na Raízen, enquanto o empresário Rubens Ometto fará um investimento de R$ 500 milhões por meio de sua holding familiar, a Aguassanta. A Cosan, contudo, não deve realizar um aporte direto, o que poderá resultar em diluição de sua participação, caso a operação avance nos moldes discutidos.

De acordo com uma das fontes ouvidas sob condição de anonimato, a avaliação interna na Cosan é de que o modelo apresentado pela Shell não equaciona de forma estrutural a situação financeira da companhia. “A proposta da Shell é mais simples, mas não é sustentável para a Raízen, que vai seguir alavancada”, afirmou.

Ainda conforme interlocutores citados pela reportagem, o plano em discussão pode incluir a conversão de dívidas em ações, tema que dependeria de negociações com credores.

Em coletiva realizada nesta terça-feira (3), o presidente da Shell, Cristiano Pinto da Costa, confirmou o compromisso de investimento e declarou esperar que a Cosan acompanhe o movimento de forma proporcional.

A modelagem da operação ainda não está definida, mas uma das possibilidades avaliadas seria uma oferta subsequente de ações (follow-on), com a Shell subscrevendo R$ 3,5 bilhões e a Aguassanta, R$ 500 milhões.

A Raízen atravessa uma crise há mais de um ano. No mês passado, conforme noticiado pelo Valor, a Cosan havia apresentado uma alternativa para reestruturar a empresa. A proposta previa um aumento de capital de aproximadamente R$ 3 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão aportados pela Shell, R$ 1 bilhão pela Cosan e R$ 500 milhões por Ometto.

Após esse movimento, o plano contemplava a separação das operações de açúcar e etanol dos ativos de distribuição. Em seguida, seria realizada conversão de dívida em ações e, posteriormente, um aporte de R$ 5,3 bilhões por fundos de private equity geridos pelo BTG. Também estava prevista uma oferta secundária para venda das ações oriundas da conversão de créditos.

A Shell se posicionou contra a cisão da Raízen e apresentou como alternativa o aporte de R$ 3,5 bilhões. Credores da companhia, incluindo detentores de títulos no exterior e bancos, também se manifestaram contrários à divisão. Assessorados pelo FTI, eles encaminharam carta aos acionistas defendendo um reforço de capital mais robusto, de até R$ 25 bilhões, valor superior ao proposto pela Shell.

Procurada, a Cosan não comentou até a publicação da reportagem original.

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