Embraer aposta em América do Norte, Índia e África para ampliar vendas de aviões comerciais
Fabricante brasileira vê oportunidades em mercados estratégicos e projeta crescimento da demanda por aeronaves regionais
247 - A Embraer está intensificando sua estratégia de expansão internacional e mira novos contratos na América do Norte, Índia e África para ampliar as vendas de aeronaves comerciais. Segundo informações publicadas pela Folha de São Paulo, a fabricante brasileira avalia que seu portfólio de jatos regionais está mais bem posicionado para enfrentar os impactos provocados pelas recentes turbulências no setor aéreo global, incluindo os efeitos da guerra no Irã.
Rodrigo Silva e Souza, vice-presidente de Marketing para Aviação Comercial da Embraer, afirma que as companhias aéreas norte-americanas têm aumentado a oferta de voos regionais em ritmo superior ao da expansão de rotas operadas por aeronaves de maior porte. A mudança reflete oscilações na demanda dos passageiros e favorece fabricantes especializadas em aviões de menor capacidade.
“É por isso que é importante ter aeronaves de diferentes tamanhos na frota. O E175 ajuda as companhias aéreas a manterem suas malhas de rotas mesmo em um ambiente desafiador como o que estamos vivendo hoje”, declarou Souza.
O E175 é um dos principais modelos da linha comercial da Embraer. A aeronave pode transportar até 88 passageiros, atinge velocidade de cruzeiro de 850 km/h e possui alcance superior a 3.900 quilômetros, permitindo operações em rotas regionais e de média distância.
Além do E175, a fabricante brasileira tem concentrado esforços na expansão das vendas do E195-E2, o mais moderno integrante de sua família de jatos comerciais. O modelo, de corredor único, acomoda até 146 passageiros, alcança velocidade de cruzeiro de 876 km/h e pode percorrer mais de 5.500 quilômetros sem escalas.
Índia surge como mercado estratégico
Entre os mercados considerados prioritários pela companhia, a Índia ocupa posição de destaque. O país asiático figura entre os segmentos de aviação com crescimento mais acelerado do mundo e pode representar uma importante frente de expansão para a fabricante brasileira.
Em fevereiro deste ano, a Embraer assinou um memorando de entendimento com a Adani Defence & Aerospace para avaliar a criação de uma linha de montagem final do E175 em território indiano. O acordo foi firmado pelo presidente-executivo da Embraer, Francisco Gomes Neto, e por Jeet Adani, diretor da companhia indiana, durante cerimônia que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do Comércio e Indústria da Índia, Piyush Goyal.
Para Souza, o modelo pode desempenhar papel relevante na expansão da malha aérea do país.
“O E175 está abrindo novos mercados, e isso pode representar uma oportunidade bastante significativa”, afirmou.
África pode demandar 600 aeronaves em duas décadas
A África também está no radar da fabricante. Segundo a projeção apresentada pelo executivo, o continente poderá receber cerca de 600 aeronaves da Embraer ao longo dos próximos 20 anos.
Atualmente, a maior cliente da companhia na região é a South African Airlink, que opera uma ampla frota de aeronaves da fabricante brasileira, incluindo modelos E175 e E195-E2.
“Como possui uma grande frota de jatos de primeira geração, eu esperaria naturalmente que, no futuro, a companhia migrasse para os E2”, disse Souza.
O executivo destaca que o desenvolvimento da conectividade aérea é uma prioridade compartilhada por diversas companhias africanas, cenário que amplia o potencial para aeronaves regionais.
“Percebemos que todas as companhias aéreas com as quais conversamos na África compartilham a mesma visão de desenvolver a conectividade em seus países. De certa forma, isso é semelhante ao que temos aqui na América do Sul: um continente grande e não muito bem conectado. Por isso, vemos diferentes companhias avaliando aeronaves menores para expandir essa conectividade”, completou.
Produção mais eficiente
Enquanto busca ampliar sua presença internacional, a Embraer também avança na eficiência industrial. Em junho, o CEO Francisco Gomes Neto informou que a companhia reduziu em 28% o tempo de fabricação de aeronaves comerciais em comparação com 2021, período marcado pelos maiores gargalos da cadeia global de suprimentos do setor aeronáutico.
Segundo o executivo, atualmente a empresa consegue produzir um jato comercial em menos de um ano. A fabricante também trabalha para equilibrar melhor o ritmo de entregas ao longo do calendário, reduzindo a tradicional concentração no segundo semestre.
“Ainda é possível ver uma alta concentração das entregas no segundo semestre, mas 2026 está melhor do que 2025, e esperamos que 2027 apresente um aumento da produção e uma melhora dessa linearidade em termos de fabricação e entregas”, afirmou Gomes Neto.
Os ganhos de produtividade também foram registrados em outras áreas da companhia. No segmento de aviação executiva, o tempo de produção dos jatos foi reduzido em 45% desde 2021. Já na divisão de defesa, a redução alcançou 34%, reforçando a estratégia da Embraer de elevar a eficiência operacional e ampliar sua competitividade nos mercados globais.


