Em 5 anos, Embraer acelera produção de aeronaves em até 45%
Fabricante brasileira reduz prazos de aviões comerciais, executivos e de defesa e busca equilibrar entregas ao longo do ano
247 - A Embraer reduziu em 28% o tempo necessário para produzir aviões comerciais em comparação com 2021, período marcado pelos maiores gargalos na cadeia produtiva global do setor aéreo. Segundo o CEO Francisco Gomes Neto, a fabricante brasileira hoje leva menos de um ano para concluir a fabricação de um jato comercial, informa a Folha de São Paulo.
O executivo afirmou nesta terça-feira (9) que a empresa avançou na recuperação de sua capacidade produtiva, mas ainda enfrenta o desafio de tornar as entregas mais equilibradas ao longo do ano. Atualmente, uma parcela relevante das aeronaves ainda é entregue no segundo semestre, padrão que a companhia busca reduzir nos próximos ciclos.
“Ainda é possível ver uma alta concentração das entregas no segundo semestre, mas 2026 está melhor do que 2025, e esperamos que 2027 apresente um aumento da produção e uma melhora dessa linearidade em termos de fabricação e entregas”, afirmou Gomes Neto.
A melhora nos prazos não ficou restrita à aviação comercial. A Embraer também registrou queda no tempo de fabricação de jatos executivos e aeronaves de defesa, tomando como base a comparação com 2021. No segmento executivo, a redução chegou a 45%. Já na área de defesa, o prazo de entrega caiu 34%.
O CEO citou a família Praetor, linha de jatos executivos da fabricante, como exemplo do ganho de eficiência operacional obtido nos últimos anos. Segundo ele, a empresa passou a produzir o mesmo modelo em metade do tempo, sem necessidade de ampliar a estrutura industrial.
“Um exemplo é o Praetor [família de jatos executivos da fabricante brasileira]. Em 2021, precisávamos de 17 meses para fabricar um Praetor. Hoje, produzimos a mesma aeronave em 8 meses e meio, metade do tempo. Estamos fabricando o dobro de aeronaves utilizando a mesma infraestrutura”, disse.
O avanço ocorre após um período de forte instabilidade na cadeia global de suprimentos da indústria aeronáutica. Durante a pandemia, fornecedores enfrentaram escassez de equipamentos e peças, o que aumentou o tempo de produção e entrega de aeronaves. Parte desses efeitos ainda se reflete no setor, mesmo com a retomada gradual da atividade.
Os atrasos na produção de aviões também afetam as companhias aéreas em suas metas ambientais. A renovação de frota é considerada uma das principais estratégias para reduzir emissões, já que aeronaves mais modernas tendem a consumir menos combustível e, consequentemente, poluir menos.
O setor aéreo assumiu, em assembleia da Iata (Associação Internacional do Transporte Aéreo) realizada em Boston, nos Estados Unidos, em 2021, o compromisso de zerar as emissões líquidas de gás carbônico até 2050. A meta está alinhada aos parâmetros de temperatura definidos no Acordo de Paris.
No último fim de semana, o diretor-geral da Iata, Willie Walsh, criticou os atrasos de fabricantes de aeronaves, conhecidos no setor como OEMs. Para ele, a demora na entrega de novos aviões aumenta as dificuldades das empresas aéreas para cumprir seus compromissos de descarbonização.
“Estamos muito decepcionados, especialmente com os OEMs [fabricantes de aeronaves], que vêm atrasando a entrega de novos aviões, porque isso significa que nossas emissões brutas são maiores do que deveriam ser, o que amplia ainda mais a diferença em relação à meta”, afirmou Walsh.
Com a redução dos prazos de fabricação, a Embraer tenta consolidar uma trajetória de maior eficiência industrial e previsibilidade nas entregas. A expectativa indicada por Gomes Neto é que 2027 represente novo avanço tanto no volume de produção quanto na distribuição mais regular das aeronaves ao longo dos meses.



