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Fitch rebaixa rating do GPA após pedido de recuperação

Agência reduz nota de crédito da dona do Pão de Açúcar e alerta para risco de calote caso plano de reestruturação seja firmado

Entrada de um supermercado da rede Pão de Açúcar, pertencente ao GPA (Foto: Divulgação/Grupo Pão de Açúcar)

247 - A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito nacional do Grupo Pão de Açúcar (GPA) após a companhia anunciar que entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar suas dívidas. A decisão reflete a avaliação de deterioração das condições financeiras do grupo e o aumento do risco de inadimplência.

Com a revisão, o rating nacional do GPA foi reduzido de “CCC(bra)” para “C(bra)”. A mudança indica um nível ainda mais elevado de risco de crédito e ocorre em meio ao agravamento da situação financeira da empresa, que enfrenta dificuldades para sustentar sua estrutura de endividamento.

Analistas da agência apontam que a companhia vem registrando elevada queima de caixa, cenário que pressiona sua liquidez. Esse quadro é agravado pelo pagamento de juros considerado incompatível com a atual capacidade de geração de caixa do grupo. Além disso, o GPA também tem enfrentado saídas de recursos relacionadas a contingências tributárias e trabalhistas.

Outro fator relevante destacado na análise é a deterioração da flexibilidade financeira da empresa. O grupo possui cerca de R$ 1,7 bilhão em dívidas com vencimento previsto para 2026, o que amplia a pressão sobre o caixa e reduz as alternativas de financiamento disponíveis.

Diante desse cenário, a agência avalia que a reestruturação dos passivos junto aos credores tornou-se a única alternativa viável para a companhia. O pedido de recuperação extrajudicial busca justamente reorganizar as obrigações financeiras e evitar um agravamento ainda maior da situação.

A Fitch também indicou que a classificação de crédito poderá sofrer novo rebaixamento caso o plano de reestruturação seja formalmente assinado. Nesse caso, a nota seria reduzida para “RD”, categoria que representa inadimplência restrita e que a agência considera um evento de calote.

Em um cenário ainda mais adverso, caso as negociações com credores não avancem e a empresa seja obrigada a recorrer à recuperação judicial, o rating poderá ser rebaixado diretamente para “D”, classificação que indica calote.

A agência ressalta ainda que há visibilidade limitada sobre as condições finais do acordo e sobre os custos de refinanciamento que poderão surgir após a renegociação das dívidas. Por isso, a possibilidade de elevação da nota de crédito no curto prazo é considerada pouco provável.

Segundo a avaliação dos analistas, uma eventual melhora na classificação do GPA dependerá da conclusão do processo de recuperação extrajudicial e de uma nova análise da estrutura de capital da empresa após a reestruturação de suas obrigações financeiras.

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