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Fusões no setor de óleo e gás caem quase 30% em 2025, aponta KPMG

Levantamento aponta retração das operações até setembro, apesar de alta no valor médio e maior presença de fundos

Bomba de extração de petróleo (Foto: Reuters)

247 - As operações de fusões e aquisições envolvendo empresas brasileiras do setor de óleo e gás apresentaram uma retração expressiva ao longo de 2025. Entre janeiro e setembro, foram concluídas 16 transações, número que representa uma queda de quase 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado reflete um ambiente econômico marcado por restrições fiscais e juros elevados, fatores que têm limitado uma recuperação mais intensa da atividade.

No recorte específico do setor, a maior parte das operações teve caráter internacional. Das 16 transações realizadas nos nove primeiros meses do ano, oito envolveram empresas estrangeiras adquirindo participação em companhias estabelecidas no Brasil. Outras seis operações foram domésticas, realizadas entre empresas nacionais. As duas transações restantes ocorreram no sentido inverso, com grupos brasileiros adquirindo participação em empresas sediadas no exterior. Apenas uma das operações contou com a participação de fundos de private equity ou venture capital.

Apesar do desempenho mais fraco no segmento de óleo e gás, o mercado brasileiro de fusões e aquisições como um todo mostrou maior dinamismo no terceiro trimestre. Entre julho e setembro, foram fechadas 425 operações no país, sendo 203 com a participação de fundos de private equity e venture capital. Esse foi o trimestre mais ativo de 2025, superando o primeiro trimestre, com 330 negócios, e o segundo, que registrou 409 transações.

No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o Brasil contabilizou 1.164 operações de fusões e aquisições, uma redução de 2,6% na comparação com o mesmo intervalo de 2024, quando foram registradas 1.196 transações. O resultado indica um cenário de relativa estabilidade, ainda que sem uma retomada mais consistente frente ao ano anterior.

Segundo avaliação de um dos responsáveis pelo estudo, o contexto macroeconômico brasileiro segue sendo um fator limitante para o avanço mais significativo das fusões. “A queda no número de fusões foi pequena e podemos considerar um cenário estável. Isso se deve ao contexto macroeconômico brasileiro que não está favorável, principalmente, no que se refere à parte fiscal, assim como as taxas de juros brasileiras e mundiais. Por isso, não houve uma recuperação significativa em relação ao ano passado, apesar de o ticket médio por transação estar crescendo. Por outro lado, aumentou a participação de fundos de investimentos no total de operações concretizadas”, afirmou.

Esse avanço da presença de investidores financeiros aparece de forma clara nos números. Nos primeiros nove meses de 2025, os fundos de private equity e venture capital participaram de 566 operações, o equivalente a 48,6% do total. No mesmo período de 2024, haviam sido 497 transações, ou 41,6%, o que representa um crescimento superior a 13%.

O cenário indica que, embora o setor de óleo e gás tenha registrado queda relevante no volume de fusões e aquisições, o mercado brasileiro segue sustentado pelo aumento do valor médio das transações e pela maior atuação de fundos de investimento, mesmo diante de um ambiente econômico ainda restritivo.

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