Investimentos da UE miram projetos de mineração no Nordeste e Sudeste
Anúncio previsto para março envolve cinco projetos estratégicos em MG, Piauí e Bahia
247 - Projetos de mineração localizados nas regiões Nordeste e Sudeste do Brasil devem receber investimentos da União Europeia (UE) ainda neste ano, como parte de uma estratégia conjunta voltada ao fornecimento de minerais críticos. A expectativa é que o anúncio oficial ocorra em março, após negociações iniciadas em agendas técnicas realizadas no bloco europeu ao longo de 2025.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o anúncio é resultado direto das tratativas conduzidas pela agência com autoridades europeias, incluindo discussões sobre minerais estratégicos como terras raras, fundamentais para a transição energética e para cadeias industriais de alta tecnologia.
Em entrevista ao Valor Econômico, a diretora de negócios da ApexBrasil, Ana Paula Repezza, detalhou a distribuição regional dos projetos priorizados. “São projetos que estão espalhados em alguns Estados brasileiros. Temos dois no Nordeste e três no Sudeste”, afirmou. Em seguida, especificou: “Obviamente, Minas Gerais, em que a gente tem mais projetos de mineração, um no Piauí e um na Bahia”.
De acordo com Repezza, a iniciativa decorre de um grupo de trabalho criado pelo governo federal em parceria com a Comissão Europeia após a realização da Raw Materials Week, evento ocorrido na Bélgica, no qual a ApexBrasil apresentou oportunidades de investimento no setor mineral brasileiro. Do lado brasileiro, integram o grupo a própria agência, além dos ministérios de Minas e Energia (MME), do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Durante a agenda europeia, foi apresentado um portfólio com 14 projetos de mineração em desenvolvimento no país, que, juntos, demandam cerca de R$ 7 bilhões em investimentos. “Desses 14 foram priorizados cinco”, disse Repezza. A diretora acrescentou que, no curto prazo, devem ser estruturados mecanismos de financiamento, investimento e garantias para viabilizar o aporte europeu nos projetos selecionados.
“São projetos estratégicos. E esperamos que de dois a três anos já estejam produzindo esses produtos finais para exportação para o território europeu, coisa rápida se comparamos com o prazo médio para projetos de mineração”, afirmou a diretora da ApexBrasil.
O anúncio oficial deverá ocorrer em um evento na sede da agência, com a presença da Delegação da União Europeia. “Lá, vamos apresentar todos esses projetos e quanto de investimento vamos ter em cada um deles”, disse Repezza, sem revelar os nomes das cinco empresas envolvidas.
Reportagem da Folha de S. Paulo apontou que uma das mineradoras selecionadas é a australiana Viridis Mining & Minerals, que desenvolve um projeto pré-operacional de exploração de terras raras em Minas Gerais. A iniciativa recebeu licença prévia no ano passado e está localizada sobre a estrutura geológica de um antigo vulcão. O projeto já conta com apoio de agências internacionais de crédito à exportação, incluindo a da Austrália, que emitiu carta de apoio de até US$ 50 milhões em empréstimos diretos; a do Canadá, com carta de interesse de até US$ 100 milhões; e a da França, que sinalizou apoio condicionado à participação europeia na compra dos produtos da mina.
A ApexBrasil informou, por meio de sua assessoria, que não tem autorização para divulgar os nomes das outras quatro iniciativas. Ainda assim, entre os projetos com informações públicas apresentados na UE, sete estão localizados na Bahia ou em Minas Gerais e podem integrar o anúncio previsto para este ano.
Na Bahia, há quatro projetos listados: um da G4 Esmeralda em parceria com a NOX Geoexploring Graphite Mineração, voltado à produção de grafite; outro da BGC, também de grafite; um da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), envolvendo níquel, cobre e cobalto; e outro da Homerun Resources, focado em sílica e vidro. Em Minas Gerais, os projetos públicos incluem iniciativas da Meteoric Resources, dedicada a terras raras; da Graphcoa, voltada ao grafite; e da St. George Mining, que atua com terras raras e nióbio.
O governo brasileiro avalia que o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado no início deste ano e atualmente em análise pelo Tribunal de Justiça europeu, pode ampliar ainda mais os investimentos em minerais críticos no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o tratado prevê a eliminação total de tarifas para produtos minerais comerciais e facilita o ingresso de capital europeu no setor.
Em nota, a entidade afirmou que o acordo “amplia o acesso ao mercado europeu, cria condições para atração de investimentos e preserva instrumentos essenciais de política industrial, em um contexto de crescente demanda global por minerais estratégicos”.


