Itaú registra lucro recorde de R$ 12,3 bilhões no 4T25
Banco encerra 2025 com maior lucro anual da história, ROE acima de 24% e escolha explícita por dividendos elevados
247 - O Itaú Unibanco Holding S.A. reportou resultado recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta de 13,2% em base anual e de 3,7% frente ao trimestre anterior, estabelecendo o maior lucro trimestral da história do banco em termos nominais. O desempenho consolidou um retorno recorrente sobre patrimônio líquido médio anualizado (ROE) de 24,4%, confirmando a elevação estrutural da rentabilidade do maior banco privado do país. As informações são do portal Brazil Stock Guide.
O trimestre coroou um ano igualmente recorde. Em 2025, o Itaú encerrou o exercício com lucro líquido contábil de R$ 45,7 bilhões e resultado recorrente gerencial de R$ 46,8 bilhões, o maior já registrado pelo banco em bases nominais anuais. O avanço foi sustentado por expansão moderada do crédito, crescimento consistente das receitas recorrentes e manutenção rigorosa da qualidade dos ativos, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.
O produto bancário atingiu R$ 47,6 bilhões no 4T25, crescimento de 7,9% na comparação anual. A margem financeira gerencial alcançou R$ 31,5 bilhões, impulsionada principalmente pela margem com clientes, que cresceu 8,6% em relação ao quarto trimestre de 2024, refletindo maior volume médio de crédito, melhor mix de passivos e maior remuneração do capital próprio empregado.
A carteira de crédito total somou R$ 1,49 trilhão ao fim de dezembro, alta de 6,3% no trimestre e de 6,0% em 12 meses. No Brasil, o crescimento foi disseminado. Em pessoas físicas, a carteira avançou 3,9% no trimestre, com destaque para cartões de crédito e crédito imobiliário. Micro, pequenas e médias empresas registraram expansão de 8,8%, enquanto grandes empresas cresceram 4,1%, mantendo perfil conservador de risco.
Na América Latina, a carteira cresceu 12,2% no trimestre em termos nominais, ou 4,5% quando desconsiderado o efeito cambial. A expansão regional contribuiu para o crescimento consolidado sem pressionar os indicadores de inadimplência, reforçando a diversificação geográfica do portfólio.
Os indicadores de risco permaneceram sob controle. O índice de inadimplência acima de 90 dias fechou o trimestre estável em 1,9%, tanto no consolidado quanto nas operações no Brasil. O custo do crédito somou R$ 9,4 bilhões, avanço trimestral de 2,8%, mas manteve-se em 2,6% da carteira média, sinalizando normalização após o pico observado em ciclos anteriores.
As receitas de prestação de serviços e seguros totalizaram R$ 15,6 bilhões, crescimento anual de 9,1%, com contribuição relevante de cartões, adquirência, gestão de recursos e seguros. O segmento de seguros, previdência e capitalização continuou ganhando peso na composição do resultado, reforçando a previsibilidade das receitas fora da margem financeira tradicional.
Do lado das despesas, as despesas não decorrentes de juros cresceram 3,7% em base anual, abaixo do ritmo das receitas. Como resultado, o índice de eficiência recuou para 38,9%, ante 40,7% no quarto trimestre de 2024, reforçando o foco do banco em escala, digitalização e disciplina operacional.
A leitura do balanço também deixa clara a opção deliberada do Itaú por intensificar a distribuição de capital ao acionista. Em 2025, o banco combinou pagamento elevado de dividendos e juros sobre capital próprio, totalizando R$ 23,4 bilhões, com o cancelamento de R$ 3 bilhões em ações em tesouraria. Essa estratégia reduziu gradualmente os índices de capital regulatório, sem comprometer solvência ou liquidez, e reflete a avaliação de que o banco gera capital em ritmo superior às oportunidades de reinvestimento com retorno ajustado ao risco equivalente.
Ao fim do trimestre, o índice de capital Nível I (Basileia III) encerrou em 13,8%, abaixo do nível observado um ano antes, mas ainda confortável frente aos requerimentos regulatórios. A liquidez seguiu robusta, com indicadores amplamente acima dos mínimos exigidos, permitindo ao banco operar com capital mais eficiente sem sacrificar resiliência.
Para 2026, o guidance divulgado aponta crescimento da carteira de crédito entre 5,5% e 9,5%, expansão da margem financeira com clientes entre 5,0% e 9,0% e custo do crédito entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões. As projeções indicam continuidade do patamar elevado de rentabilidade, ainda que com menor vento favorável do ciclo monetário.
O resultado do quarto trimestre e do ano de 2025 marca um ponto de inflexão estrutural para o Itaú. Com lucro recorde, rentabilidade elevada e decisão explícita de devolver capital, o banco sinaliza confiança na qualidade do balanço e na previsibilidade dos resultados. A estratégia sugere que, no atual estágio do ciclo, pagar dividendos passou a ser a principal alocação de valor — não por falta de oportunidades, mas por excesso de eficiência.


