JHSF compra Embassair e mira aviação executiva nos EUA
Aquisição da Embassair marca entrada da companhia no mercado internacional de serviços para aviação executiva
247 - A JHSF deu um passo decisivo em sua estratégia de expansão internacional na aviação executiva ao comprar a Embassair, empresa que presta serviços para jatos privados no Opa-Locka Executive Airport, em Miami, nos Estados Unidos. A operação foi anunciada nesta segunda-feira (27) e marca a entrada do grupo brasileiro em um dos principais mercados globais do segmento.
A Embassair atua como operadora de base fixa, conhecida no setor pela sigla em inglês FBO, prestando serviços como embarque e desembarque de passageiros, abastecimento de aeronaves e hangaragem. A empresa não é proprietária de aviões nem do aeroporto.
A aquisição é considerada pela JHSF o primeiro movimento concreto para ampliar fora do Brasil sua atuação em serviços aeroportuários voltados à aviação executiva. No país, a companhia já opera o Aeroporto Catarina, em São Roque, no interior de São Paulo, empreendimento voltado a jatos privados e clientes de alta renda.
Em entrevista à Broadcast, o presidente da JHSF, Augusto Martins, afirmou que a compra da Embassair inaugura uma nova fase para o grupo. “Este é o primeiro passo da nossa expansão internacional neste tipo de negócio”, disse. Segundo ele, a operação pode abrir caminho para novas aquisições no setor. “Assim como temos expandindo outros negócios, esse também é importante. A aquisição abre portas para outros voos e possíveis [aquisições] de FBOs nos principais aeroportos internacionais de executiva”, afirmou.
O executivo ressaltou que a experiência acumulada com o Aeroporto Catarina foi determinante para a decisão de avançar no mercado externo. Inaugurado em 2019, o terminal paulista passa atualmente por sua sexta expansão. A JHSF planeja construir mais três hangares nos próximos meses, elevando o total para 19, além de ampliar o pátio de manobras.
“O Aeroporto Catarina já é o maior FBO no mundo, com mais de 200 aeronaves hangaradas conosco”, afirmou Martins.
Apesar da ambição internacional, a JHSF deve concentrar sua atenção inicial na integração da Embassair ao seu padrão de atendimento. A empresa pretende adaptar a operação em Miami ao perfil de clientes habituados a serviços de luxo, segmento no qual o grupo já atua por meio de hotéis, restaurantes, shopping centers e empreendimentos imobiliários de alto padrão.
Uma das primeiras medidas previstas é a implantação de um sistema de imigração internacional no terminal da Embassair. A mudança permitirá que passageiros realizem os procedimentos migratórios no próprio espaço da empresa, sem necessidade de deslocamento para outros terminais.
O Opa-Locka Executive Airport é considerado estratégico para a JHSF. Além de estar a cerca de 30 minutos do centro de Miami e de áreas turísticas frequentadas por clientes de alta renda, o aeroporto já figura entre os principais destinos de voos que partem do Aeroporto Catarina. O terminal também oferece dezenas de conexões internacionais.
Martins afirmou que a operação nos Estados Unidos também funcionará como vitrine para outros ativos do grupo. A JHSF controla negócios como a marca Fasano, presente em hotéis e restaurantes no Brasil e no exterior, além de empreendimentos imobiliários de luxo e shoppings que reúnem marcas nacionais e internacionais.
“Essa aquisição contribui também para a construção de uma plataforma integrada, com ativos relevantes no Brasil e no exterior”, disse o presidente da JHSF.
A imprensa local noticiou recentemente que a JHSF busca autorização para operar voos comerciais no Brasil, tema que estaria em análise por autoridades competentes. Oficialmente, porém, a companhia não confirma nem nega a iniciativa e afirma que seu foco permanece na aviação executiva.
A compra da Embassair ocorre após outro movimento da JHSF no setor de transportes de luxo. Em outubro do ano passado, o grupo adquiriu participação majoritária na BYS International, empresa voltada à locação de iates.
O valor da aquisição da Embassair não foi divulgado. Para estruturar a transação, foi criado o JHSF Capital FBOs Fund LP, veículo internacional administrado pela JHSF Capital, com a companhia brasileira como investidora majoritária.



