João Camargo cobra maior atuação política de empresários
“Adotem um deputado, um senador, cobrem deles, participem mais ativamente da vida pública brasileira”, disse o presidente do Conselho da Esfera Brasil
247 - O presidente do Conselho da Esfera Brasil, João Camargo, defendeu que empresários tenham uma presença mais ativa na vida pública, acompanhem de perto a atuação de deputados e senadores e cobrem propostas concretas dos representantes eleitos. A declaração foi feita durante o Fórum Esfera, realizado no Guarujá, em São Paulo, em um discurso no qual Camargo também pediu menos polarização política e maior compromisso com políticas de Estado voltadas à inovação, tecnologia e crescimento econômico, relata o Brazil Stock Guide.
No evento, Camargo afirmou que o setor privado deve participar mais diretamente do debate nacional e acompanhar o trabalho dos parlamentares. “Vocês são empresários, adotem um deputado federal, adotem um senador, cobrem deles, participem mais ativamente da vida pública brasileira”, disse o presidente do Conselho da Esfera Brasil.
Participação empresarial na política
Ao defender maior envolvimento dos empresários, Camargo sustentou que o setor privado tem legitimidade para cobrar propostas e resultados. Segundo ele, essa legitimidade decorre do papel das empresas na economia, por meio do pagamento de impostos, da geração de empregos e da realização de investimentos no país.
O dirigente também afirmou que empresários podem apoiar campanhas eleitorais, desde que essa participação ocorra dentro dos limites previstos pela legislação. A fala foi apresentada como parte de uma defesa mais ampla de maior presença do setor produtivo no acompanhamento das decisões políticas e institucionais.
Menos polarização e mais políticas de Estado
Camargo defendeu a necessidade de reduzir a polarização no debate público e concentrar a discussão em programas de governo. Para ele, o Brasil precisa avançar na construção de políticas de Estado, com continuidade e planejamento de longo prazo, em vez de depender de medidas vinculadas apenas a ciclos de governo.
O presidente da Esfera citou áreas como inovação, tecnologia e crescimento econômico como setores que exigem estabilidade, coordenação e visão estratégica. Segundo Camargo, a falta de continuidade compromete a capacidade do país de ampliar sua competitividade e responder aos desafios de uma economia global em transformação.
Crítica à baixa inovação no Brasil
Camargo também afirmou que o Brasil perdeu competitividade relativa nos últimos anos e criticou a baixa capacidade de inovação da economia brasileira. O dirigente relacionou esse quadro à necessidade de ampliar investimentos em tecnologia, produtividade e modernização dos setores produtivos.
Segundo o Global Innovation Index 2025, elaborado pela World Intellectual Property Organization, o Brasil aparece na 52ª posição entre 139 economias no ranking global de inovação. O dado foi citado no contexto da avaliação de Camargo sobre os limites enfrentados pelo país para competir em áreas de maior valor agregado.
Dependência de commodities
O presidente do Conselho da Esfera Brasil também apontou que a economia brasileira segue excessivamente dependente de setores ligados a commodities. Entre os segmentos mencionados estão mineração, agronegócio e petróleo.
Para Camargo, o país precisa diversificar sua base econômica e fortalecer áreas associadas à tecnologia e à produtividade. A avaliação foi apresentada como parte da defesa de uma agenda econômica com maior capacidade de inovação, planejamento e continuidade institucional.



