Mercado de petróleo entra em corrida urgente por barris disponíveis
Corrida global por petróleo eleva preços e expõe escassez causada por interrupções no Oriente Médio e disputa por cargas imediatas
247 - O mercado global vive uma corrida por petróleo que eleva preços e expõe uma escassez crescente, impulsionada por interrupções no fornecimento do Oriente Médio e pela busca urgente por cargas disponíveis no curto prazo. Refinarias e traders intensificam a disputa por barris prontos para entrega imediata, elevando os custos e pressionando toda a cadeia energética.
Segundo reportagem da Bloomberg, publicada neste sábado (11), a competição por cargas físicas de petróleo atingiu níveis extremos, com negociações no Mar do Norte registrando dezenas de ofertas e poucos vendedores, refletindo um desequilíbrio significativo entre oferta e demanda. Ainda de acordo com a Bloomberg, o cenário se agrava à medida que refinarias em diferentes regiões ampliam a busca por suprimentos em mercados alternativos.
No mercado físico, cargas para entrega nas próximas semanas chegaram a ultrapassar US$ 140 por barril, patamar histórico que evidencia a urgência por abastecimento. Ao mesmo tempo, contratos futuros registraram queda, fechando perto de US$ 95, o que revela uma desconexão entre o mercado financeiro e a realidade da oferta imediata.
Traders avaliam que a escassez decorre diretamente da redução no fluxo de petróleo do Oriente Médio, criando um vazio que deve ser sentido nas próximas semanas. “Há simplesmente uma escassez de petróleo”, afirmou Neil Crosby, chefe de pesquisa da Sparta Commodities. Ele acrescentou: “O Brent físico está desorganizado e subiu demais. Nesse ritmo, até refinarias europeias terão que reduzir a utilização, possivelmente já no próximo mês”.
A disparidade entre o mercado físico e o futuro também é explicada pelo tempo necessário para a normalização das rotas de exportação. Mesmo com sinais de retomada no Estreito de Ormuz, o impacto logístico continua, já que o transporte de petróleo até refinarias na Ásia e Europa pode levar semanas.
O presidente-executivo da Abu Dhabi National Oil Co., Sultan al Jaber, destacou a dimensão do problema ao afirmar que o intervalo causado pelo conflito está se tornando evidente. “As últimas cargas que passaram pelo Estreito de Ormuz antes do conflito estão chegando agora aos seus destinos. É aqui que o mercado financeiro encontra a realidade física, e o intervalo de 40 dias nos fluxos globais de energia fica exposto”, declarou.
A busca por petróleo imediato fez com que refinarias deixassem de priorizar preços e passassem a focar na garantia de abastecimento. Em alguns casos, compradores estão pagando prêmios superiores a US$ 20 por barril acima das referências internacionais para assegurar entregas rápidas.
A escassez também alterou rotas comerciais. Refinarias asiáticas ampliaram compras de petróleo dos Estados Unidos, Canadá e Venezuela. No caso da Índia, os volumes adquiridos da Venezuela dobraram na primeira semana de abril em comparação ao mês anterior. Já o Japão tem optado por navios menores para acelerar o transporte via Canal do Panamá.
O impacto da alta nos preços já se reflete nos derivados. Diesel e combustível de aviação ultrapassaram US$ 200 por barril, enquanto os estoques de gasolina nos Estados Unidos caíram ao menor nível em quase 16 anos, segundo dados oficiais.
Especialistas alertam que a pressão pode se intensificar caso o desequilíbrio persista. Amrita Sen, cofundadora da Energy Aspects, destacou que o mercado físico segue uma dinâmica própria. “Os mercados físicos não estão seguindo sinais de redes sociais. Eles continuam se fortalecendo à medida que as interrupções se espalham da Ásia para o Atlântico”, afirmou.


