Minerva pode compensar queda na China com avanço nos EUA, diz Citi
Banco vê queda nos embarques à China no 3º trimestre, mas aponta diversificação e demanda dos EUA como apoio à Minerva
247 - A diversificação geográfica e a perspectiva de maior demanda dos Estados Unidos por carne bovina podem ajudar a Minerva a reduzir o impacto de uma queda relevante nos embarques para a China no terceiro trimestre, segundo avaliação do Citi.
O relatório foi elaborado após encontro do Citi com a companhia durante a 18ª edição da Citi Brazil Equity Conference. Para os analistas, a discussão sobre a Minerva começa a mudar de foco: sai do desempenho operacional e passa a mirar a capacidade da empresa de transformar resultados em geração efetiva de caixa e valor para os acionistas.
“Continuamos gostando da forma como a Minerva está operando o negócio; a questão é quanto desse desempenho operacional acaba se traduzindo em valor para o acionista devido ao ainda elevado serviço da dívida”, afirmaram os analistas.
Segundo o banco, o segundo trimestre de 2026 deve ser favorecido por volumes robustos de exportação. Esse movimento foi impulsionado pela antecipação de compras da China antes do esgotamento das cotas de importação. Dados recentes da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam forte demanda chinesa no período, o que tende a beneficiar os resultados da companhia.
O cenário, porém, deve perder força nos próximos meses. O Citi avalia que a cota chinesa deve ser preenchida entre meados e o fim de junho, provocando desaceleração dos embarques ao país asiático ao longo do terceiro trimestre. Além disso, os preços pagos pela China já começam a perder atratividade em comparação com os praticados pelos Estados Unidos.
Nesse contexto, o mercado norte-americano deve ganhar importância para a Minerva a partir de julho e agosto. De acordo com o relatório, os Estados Unidos poderão absorver parte dos volumes deslocados da China, em meio a uma oferta doméstica mais restrita de carne bovina e a uma necessidade maior de importações.
O Citi também projeta preços mais fortes no mercado norte-americano durante o segundo semestre. Essa combinação pode ajudar a compensar parte do impacto da desaceleração chinesa, embora o banco ressalte que a geração de caixa segue como ponto central de atenção.
Apesar da melhora operacional esperada, a geração de caixa da Minerva ainda deve permanecer limitada no curto prazo. O Citi estima expansão moderada das margens no segundo trimestre em relação ao primeiro, mas avalia que as tendências mais favoráveis para o caixa devem se concentrar na segunda metade do ano.
Para 2026, a instituição mantém a expectativa de crescimento de receita em um dígito alto. As margens devem ficar próximas às registradas no início do exercício, quando a margem Ebitda da companhia foi de 8,3%.
Os analistas também apontam riscos nas projeções de fluxo de caixa livre. Na visão do banco, o consenso de mercado que indica cerca de R$ 800 milhões em fluxo de caixa livre pode estar considerando uma taxa de câmbio superior a R$ 5,20 por dólar. Caso o real permaneça em níveis mais valorizados, esse cenário poderia levar a revisões nas estimativas.
Do lado dos custos, o principal fator monitorado continua sendo o preço do boi gordo, responsável por cerca de 80% a 85% do custo dos produtos vendidos pela Minerva. Embora o mercado futuro indique preços mais acomodados, o Citi observa que o comportamento dos pecuaristas ainda será uma variável importante no segundo semestre.
Referências de mercado citadas no evento indicam que a arroba poderia oscilar entre R$ 320 e R$ 350. Patamares acima de R$ 350, porém, seriam mais difíceis de sustentar ao longo da segunda metade do ano.
Outro ponto destacado foi a integração dos ativos adquiridos da Marfrig. A companhia informou que a etapa operacional do processo já foi concluída e que o foco, agora, está na captura de sinergias adicionais.
A administração vê espaço para ganhos graduais de margem nos próximos 24 meses. Esses avanços devem ser sustentados por melhorias de eficiência, otimização dos fluxos operacionais e melhor utilização dos ativos incorporados.



