Moody’s rebaixa nota do BRB e aponta alto risco de calote
Agência indica necessidade de capital no BRB e destaca incertezas após perdas e atraso na divulgação de balanços
247 - A Moody’s Local rebaixou a classificação de crédito do BRB (Banco de Brasília) de BBB- para CCC+, sinalizando elevado risco de calote e possibilidade de novos rebaixamentos. A avaliação reflete fragilidades financeiras da instituição, especialmente diante da provável necessidade de reforço de capital e da ausência de um plano estruturado para recomposição patrimonial após perdas relevantes.
A agência destacou que o atraso na divulgação das demonstrações financeiras, cujo prazo se encerrou na segunda-feira (31), amplia as incertezas sobre a real situação financeira do banco. Em relatório, afirmou: "Até o momento, não houve comunicação ao mercado sobre a extensão do impacto das operações supostamente fraudulentas, nem a apresentação de um plano definido para a recuperação do capital".
As perdas estão associadas a operações envolvendo ativos adquiridos do Banco Master, atualmente sob investigação no âmbito da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025. Desde então, o BRB contratou auditoria independente para apurar o montante exato dos prejuízos decorrentes dessas transações.
Segundo a Moody’s, o aumento de provisões e o reconhecimento das perdas devem pressionar a necessidade de novos aportes para garantir a solvência da instituição. No nível atual de classificação, a agência avalia que a qualidade de crédito do banco é muito fraca em comparação com outras entidades do sistema financeiro nacional, aproximando-se de um cenário de inadimplência sem capitalização adicional.
A revisão da nota seguirá condicionada aos desdobramentos das investigações e à eventual apresentação de um plano consistente de aumento de capital. Nesse contexto, o BRB convocou assembleia geral extraordinária para terça-feira (22), com pauta que inclui a ampliação do capital social e mudanças na composição do conselho de administração.
O banco também comunicou o adiamento da divulgação dos balanços referentes ao terceiro e quarto trimestres de 2025. A justificativa apresentada envolve a necessidade de conclusão da auditoria forense e a avaliação adequada dos impactos financeiros decorrentes das investigações em andamento.
A instituição ainda não conseguiu captar os R$ 6,6 bilhões considerados necessários para fortalecer seus indicadores financeiros. A análise dos resultados deverá ocorrer após a conclusão das apurações, com nova convocação de assembleia para dar continuidade às deliberações.

