Santander deve ter resultado mais fraco no 1º trimestre de 2026, aponta BTG Pactual
Relatório projeta lucro próximo de R$ 4 bilhões, pressionado por provisões e menor receita com clientes
247 - O Santander Brasil deve apresentar um desempenho mais moderado no primeiro trimestre de 2026, com lucro líquido estimado em torno de R$ 4 bilhões, abaixo das expectativas do mercado. A projeção indica pressão sobre as receitas com clientes e aumento nas provisões, apesar de melhorias em outras linhas do balanço.
As estimativas constam em relatório divulgado pelo BTG Pactual nesta segunda-feira (13), que antecipa os resultados do banco previstos para serem publicados antes da abertura do mercado em 29 de abril.
De acordo com a análise, o trimestre deve ser “mais fraco”, com desempenho cerca de 2% inferior ao consenso de R$ 4,1 bilhões. O retorno sobre o patrimônio (ROE) projetado gira em torno de 16,6% a 17,1%, refletindo um cenário de receitas pressionadas e custos de risco mais elevados.
Pressão sobre receitas e crédito
O relatório aponta que a carteira de crédito deve registrar leve retração, de aproximadamente 1% na comparação trimestral, influenciada por fatores sazonais e pela valorização do real, que impacta operações em dólar.
As receitas com clientes (NII) também tendem a cair, afetadas pela menor base de depósitos no início do ano. Em contrapartida, a receita com operações de mercado deve apresentar recuperação, beneficiada por um cenário de juros ainda elevados, embora com menor impacto negativo em relação ao trimestre anterior.
Provisões e inadimplência em alta
Um dos principais fatores de pressão sobre os resultados é o aumento das provisões para perdas com crédito, estimadas em cerca de R$ 6,5 bilhões, acima dos R$ 6,1 bilhões registrados no quarto trimestre de 2025.
O banco também deve enfrentar leve piora nos indicadores de inadimplência no curto prazo, reflexo da sazonalidade típica do início do ano, quando a liquidez dos clientes tende a ser mais restrita.
Eficiência e controle de custos
Apesar do cenário desafiador, o Santander mantém avanço em eficiência operacional. O BTG destaca que o banco segue reduzindo sua base de funcionários e controlando despesas, com crescimento de custos abaixo da inflação.
As receitas com tarifas devem apresentar crescimento anual moderado, em torno de 5%, ainda que impactadas negativamente pela sazonalidade no trimestre, especialmente nos segmentos de cartões e seguros.
2026 como ano de transição
Para o restante de 2026, a expectativa é de crescimento moderado da carteira de crédito, entre 5% e 6%, e avanço mais lento das receitas com clientes, na faixa de 3% a 4%.
O relatório também indica que o ano deve marcar uma fase de transição estratégica para o banco, com foco na redução da volatilidade dos resultados, aumento da participação de funding de varejo e maior peso das receitas com serviços.
A projeção do BTG é de lucro líquido ajustado de aproximadamente R$ 17,4 bilhões em 2026, com crescimento anual de 11%, embora haja riscos de desempenho abaixo desse nível.
Perspectivas e riscos
Entre os principais riscos apontados estão o aumento das provisões, a exposição ao crédito corporativo e a possibilidade de pressão prolongada sobre receitas financeiras em função da taxa Selic ainda elevada.
O relatório também alerta para a normalização da carga tributária, após um nível atipicamente baixo no ano anterior, o que pode impactar negativamente o resultado final.
As ações do Santander Brasil têm apresentado desempenho inferior ao de seus pares no ano, acumulando desvalorização relativa de cerca de 20%, e são negociadas atualmente a cerca de 1,3 vez o valor patrimonial.


