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Shell pode assumir controle da Raízen após colapso de negociações, diz Reuters

Petrolífera avalia injeção de capital para salvar a companhia, enquanto divergências com a Cosan travam plano de resgate

Shell pode assumir controle da Raízen após colapso de negociações, diz Reuters (Foto: Reuters/Michaela Rehle)

247 - A petrolífera Shell pode assumir o controle da Raízen, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do mundo, após o colapso das negociações para um plano de resgate financeiro envolvendo acionistas e credores. As tratativas buscavam uma solução para a situação financeira da empresa, marcada por prejuízos sucessivos e aumento expressivo do endividamento.

Nos últimos meses, representantes da Shell e da Cosan — sócias na companhia — mantiveram conversas sobre a possibilidade de injetar novos recursos na empresa. No entanto, as discussões foram interrompidas nesta semana, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A Raízen vem enfrentando dificuldades financeiras crescentes. Em fevereiro, a companhia alertou investidores para uma “incerteza significativa” sobre sua capacidade de continuar operando, o que intensificou a mobilização de acionistas e credores em busca de uma solução para preservar as atividades da empresa.

Shell negocia alternativas com credores

Após o impasse nas negociações com a Cosan, a Shell iniciou contatos diretos com bancos e credores para discutir um possível resgate financeiro da Raízen. De acordo com fontes próximas ao processo, a petrolífera avalia liderar as tratativas para uma reestruturação da companhia e ainda considera aportar capital mesmo sem participação equivalente da sócia brasileira.

Criada em 2011, a Raízen é controlada pela Shell e pela Cosan, que detêm 44% de participação cada. O restante das ações está distribuído no mercado.

Divergências sobre aporte financeiro

Durante as negociações recentes, a Shell indicou disposição para investir R$ 3,5 bilhões na empresa. A expectativa era de que a Cosan acompanhasse o aporte no mesmo valor.

Caso a petrolífera realize o investimento sem contrapartida equivalente, a participação da Cosan poderá ser diluída. O tamanho dessa redução dependerá do montante da dívida que eventualmente seja convertido em ações no processo de negociação com credores.

A Cosan afirmou estar disposta a contribuir com cerca de R$ 1,5 bilhão, incluindo R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto, mas indicou que não teria condições de igualar o valor proposto pela Shell.

Proposta alternativa com investidores

Durante as tratativas, a Cosan também apresentou uma proposta alternativa para captar aproximadamente R$ 6,3 bilhões com fundos de private equity ligados ao banco BTG Pactual e outras fontes potenciais de financiamento.

A estrutura sugerida previa que a maior parte dos recursos fosse direcionada ao braço de distribuição de combustíveis da Raízen. Investidores demonstraram preferência por esse segmento, considerado mais líquido em comparação às demais operações da empresa.

A proposta, no entanto, não foi aceita pela Shell.

Endividamento pressiona operações

A situação financeira da Raízen tem sido pressionada por um aumento significativo da dívida. No fim de dezembro, o endividamento líquido da empresa atingiu R$ 55,3 bilhões.

O crescimento da dívida está associado a fatores como altos investimentos recentes, condições climáticas instáveis e incêndios florestais que afetaram colheitas e reduziram o volume de moagem da cana-de-açúcar.

Mesmo diante desse cenário, a companhia manteve elevada produção. Em 2024, a Raízen produziu cerca de 3,16 bilhões de litros de etanol, mantendo-se entre as maiores produtoras do biocombustível no mundo.

Até o momento, não há novas reuniões agendadas para retomar as negociações, embora as conversas possam ser reabertas caso haja consenso entre acionistas e credores.

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