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Transnordestina inicia testes e define modelo comercial até 2028

Operações experimentais entre Piauí e Ceará aproximam ferrovia do setor produtivo e testam contratos, custos e integração logística

Transnordestina inicia testes e define modelo comercial até 2028 (Foto: MIDR)

247 - A Ferrovia Transnordestina deu início a operações experimentais em trechos que ligam o Piauí ao Ceará, com o objetivo de estruturar sua base de clientes e consolidar o modelo comercial que deverá vigorar até a conclusão total do empreendimento, prevista para 2028. Os testes funcionam como uma etapa prática de aproximação com o setor produtivo, permitindo à concessionária ajustar contratos, custos e a organização da cadeia logística do transporte ferroviário.

As informações foram divulgadas pela Agência iNFRA, que acompanha o avanço do projeto e os primeiros resultados obtidos pela Transnordestina Logística S/A (TLSA), operadora responsável pela ferrovia. Segundo a empresa, a demanda pelo serviço cresceu após as viagens-teste iniciais, realizadas com cargas de milho e sorgo, indicando interesse do mercado mesmo antes da conclusão integral da obra.

De acordo com a TLSA, as operações experimentais funcionam como ensaios do futuro modelo de contratação. A proposta prevê o transporte sob demanda, no qual diferentes empresas podem contratar vagões individualmente e compartilhar uma mesma composição ferroviária. Esse formato busca ampliar a flexibilidade do serviço e atrair clientes com perfis variados de carga e volume.

A Tijuca Alimentos foi a primeira companhia a participar dos testes. No modelo adotado, os grãos foram levados por caminhões até o terminal de Bela Vista do Piauí (PI), seguiram pela ferrovia até Iguatu (CE) e, a partir daí, retornaram ao transporte rodoviário para distribuição às unidades industriais da empresa. A expectativa, segundo a própria companhia, é que, quando o sistema estiver plenamente operacional, haja redução de custos em comparação ao transporte exclusivamente rodoviário, mesmo com a ferrovia ainda em fase de implantação.

A TLSA destaca que os testes também servem para desenhar soluções logísticas específicas para cada tipo de carga. Isso inclui a integração com terminais privados de armazenagem e transbordo, além de diferentes arranjos comerciais. O modelo em estudo permite que os clientes contratem apenas o transporte ferroviário ou combinem esse serviço com operadores de terminais. Há ainda a possibilidade de estruturas em que o investidor do terminal atue também como comprador da carga movimentada.

Do ponto de vista regulatório e ambiental, a ferrovia já conta com autorizações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e licença de operação do Ibama para os trechos atualmente em teste. A empresa planeja implantar entre seis e oito terminais logísticos ao longo da linha, distribuídos por estados como Piauí, Pernambuco e Ceará. Entre os pontos estratégicos está a conexão com o Porto do Pecém, no Ceará, voltada tanto para fluxos internos quanto para operações de exportação.

Com a fase experimental em andamento, a Transnordestina busca consolidar um modelo comercial capaz de sustentar a operação no longo prazo e ampliar a competitividade do transporte ferroviário no Nordeste, integrando diferentes modais e cadeias produtivas até a conclusão do projeto.

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