Em Nova Déli, Lula amplia parceria estratégica com a Índia
Visita a Índia consolida acordos em defesa, saúde, energia e tecnologia
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (21), em Nova Délhi, que Brasil e Índia avançam para um novo estágio na relação bilateral, com ampliação de acordos estratégicos e possibilidade de elevar a meta de comércio entre os dois países para US$ 30 bilhões até 2030. A declaração foi feita durante visita de Estado à Índia, em agenda oficial com o primeiro-ministro Narendra Modi.
Em seu pronunciamento, Lula destacou a afinidade política e econômica entre as duas nações e ressaltou que a visita ocorre no ano em que Brasil e Índia celebram 20 anos da Parceria Estratégica.
Parceria estratégica completa 20 anos
Ao enfatizar o peso internacional de ambos os países, o presidente afirmou que o encontro representa “a reunião da farmácia do mundo com o celeiro do mundo” e também de “uma superpotência digital com uma superpotência da energia renovável”. Segundo ele, trata-se das duas maiores democracias do Sul Global, defensoras do multilateralismo e da paz.
Lula lembrou que, em julho de 2025, recebeu Narendra Modi em Brasília, ocasião em que a agenda bilateral foi reorganizada em cinco eixos: defesa e segurança; segurança alimentar e nutricional; transição energética e mudança do clima; transformação digital e tecnologias emergentes; e parcerias industriais em áreas estratégicas. De acordo com o presidente, a atual visita marca o início da implementação concreta dessas diretrizes.
Acordos em saúde, energia e defesa
Durante a visita a Nova Délhi, foram assinados acordos em setores como tecnologia da informação, inteligência artificial, biotecnologia e exploração espacial. Lula destacou a criação da Parceria Digital para o Futuro com a Índia, a primeira desse tipo firmada pelo Brasil, como expressão do compromisso com o uso da tecnologia para o desenvolvimento inclusivo.
Na área energética, os dois países firmaram entendimento para ampliar investimentos em energias renováveis e minerais críticos. No âmbito da Aliança Global para Biocombustíveis, Lula afirmou que Brasil e Índia atuam para garantir espaço relevante a essa tecnologia na agenda climática e energética global.
A cooperação em saúde também foi ampliada. Segundo o presidente, a Fundação Oswaldo Cruz assinou acordos para pesquisa e produção local de insumos estratégicos, incluindo vacina contra a tuberculose e medicamentos oncológicos, imunossupressores e destinados a doenças negligenciadas e raras. Ele ressaltou que os dois países atuam, há décadas, na Organização Mundial da Saúde em defesa do acesso equitativo a medicamentos e da soberania sanitária.
No setor de defesa, Lula mencionou a abertura do escritório da Embraer em Nova Délhi e o acordo trilateral entre a Mazagon Dock e as Marinhas do Brasil e da Índia para integrar atividades de manutenção de submarinos da classe Scorpène e de outros navios militares.
Comércio bilateral pode chegar a US$ 30 bilhões
O presidente destacou ainda que, em 2025, o fluxo comercial bilateral superou US$ 15 bilhões pela primeira vez, crescimento de 25% em relação a 2024. A meta inicial estabelecida pelos dois líderes era alcançar US$ 20 bilhões até 2030, mas, segundo Lula, o ritmo atual permite discutir a elevação do objetivo para US$ 30 bilhões.
Entre as medidas para impulsionar o intercâmbio, foi firmado acordo que amplia a validade dos vistos de turismo e negócios de cinco para dez anos. O Fórum Econômico Brasil–Índia deverá reunir cerca de 600 representantes do setor privado dos dois países.
Reforma da ONU e defesa do multilateralismo
Lula também destacou a importância do diálogo estratégico diante do cenário internacional. Ele mencionou a alternância nas presidências do G20 e do BRICS entre Brasil e Índia como elemento positivo para os interesses do Sul Global.
O presidente reiterou o compromisso com a reforma da Organização das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança. Segundo ele, Brasil e Índia, ao lado de Alemanha e Japão no chamado G4, defendem a ampliação das categorias de membros permanentes e não permanentes para conferir maior legitimidade e eficácia à governança global.
Sobre conflitos internacionais, Lula declarou apoio aos esforços pelo fim da guerra na Ucrânia e afirmou ser urgente aliviar o sofrimento do povo palestino. Também repudiou os atentados na Caxemira e afirmou que “o terrorismo não está associado a nenhuma religião ou nacionalidade”, acrescentando que o fenômeno não deve servir de pretexto para intervenções à margem do direito internacional.
Ao concluir, o presidente reafirmou o compromisso do Brasil com a manutenção da América do Sul como zona de paz e defendeu que as principais batalhas globais sejam contra a fome, a pobreza e a degradação ambiental, ressaltando o potencial da cooperação entre Brasil e Índia para fortalecer o Sul Global.


