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Padilha defende parceria estratégica com a Índia e diz que saúde é o novo eixo do desenvolvimento

Ministro anuncia US$ 2 bilhões em parcerias com farmacêuticas indianas e destaca SUS como um dos maiores mercados estruturados do mundo

Alexandre Padilha em fórum na Índia (Foto: Brasil 247)

247 – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou no Fórum Empresarial Brasil-Índia, realizado em Nova Déli neste sábado, que a saúde deixou de ser apenas uma política social e passou a ocupar posição central na estratégia de desenvolvimento econômico, tecnológico e industrial do Brasil. Segundo ele, o país vive “um dos melhores momentos da relação bilateral entre Brasil e Índia”, com a cooperação avançando para além da diplomacia tradicional.

Ao abrir sua fala, Padilha agradeceu ao governo da Índia, aos empresários indianos e à ApexBrasil, presidida por Jorge Viana, pela organização do encontro. Para o ministro, o momento atual reflete a maturidade do diálogo bilateral, agora traduzido em investimentos, produção conjunta e parcerias produtivas.

Saúde como motor de inovação e emprego

Padilha destacou que Brasil e Índia compartilham desafios estruturais semelhantes: grandes populações, sistemas de saúde de larga escala, convivência simultânea com doenças tropicais e crônicas, além dos impactos do envelhecimento populacional e da crise climática.

Segundo ele, essa convergência cria base sólida para cooperação industrial, tecnológica e regulatória.

O ministro ressaltou a dimensão do Sistema Único de Saúde (SUS), que atende mais de 200 milhões de pessoas. Apenas em 2025, afirmou, foram realizados mais de 3 bilhões de consultas e exames especializados e mais de 14 milhões e 800 mil cirurgias eletivas, números que classificou como recordes históricos.

Além disso, mais de 60 milhões de brasileiros possuem seguro privado integral de saúde, fortalecendo uma rede privada de alta densidade tecnológica. Para Padilha, isso transforma o Brasil não apenas no maior sistema público universal do mundo, mas em “um dos maiores mercados estruturados da saúde do planeta”, com escala e previsibilidade de demanda.

Crescimento das importações e foco em produção conjunta

O ministro destacou que, desde 2000, o volume de importações indianas no setor de saúde para o Brasil — descontadas as exportações — saltou de US$ 13 milhões para US$ 660 milhões em 2025, crescimento de 49 vezes em 25 anos.

Ele afirmou, no entanto, que o objetivo vai além das importações. “Queremos mais cooperação, mais investimento e mais produção conjunta”, disse, defendendo marcos legais claros, segurança jurídica, financiamento público robusto e uso estratégico do poder de compra do Estado.

Entre os instrumentos mencionados estão incentivos a áreas como saúde digital, inteligência artificial, hospitais inteligentes e fortalecimento da capacidade produtiva local, sob a liderança do presidente Lula.

Novo marco legal e investimentos bilionários

Padilha destacou a aprovação do novo marco legal da pesquisa clínica, que, segundo ele, reduzirá o prazo de estudos e ampliará a participação de instituições brasileiras em pesquisas multicêntricas, aproximando pacientes e profissionais de tecnologias inovadoras.

Também citou mudanças nas regras de precificação de medicamentos por meio de nova resolução da Câmara Interministerial de Medicamentos, com estímulo à inovação incremental e radical.

O Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê, segundo o ministro, a compra de mais de US$ 2 bilhões em equipamentos médicos, com preferência para produção no Brasil, incentivando parcerias entre empresas indianas e brasileiras.

Além disso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Finep destinam, de acordo com ele, US$ 12 bilhões para atividades do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, coordenadas pelos ministérios da Saúde e da Indústria e Comércio.

PDPs e transferência de tecnologia

Padilha enfatizou a importância das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) firmadas durante a visita oficial à Índia, envolvendo áreas como oncologia, doenças raras e medicamentos estratégicos, além de acordos com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Segundo ele, as PDPs envolvem laboratórios brasileiros como Bahiafarma, FURP e Bionovis, em parceria com as farmacêuticas indianas Biocon e Dr. Reddy’s.

O ministro afirmou que os acordos representam cerca de US$ 2 bilhões em investimentos ao longo de dez anos e permitirão a produção local de medicamentos modernos para câncer de mama, leucemia e câncer de pele, destinados ao SUS.

Para Padilha, não se trata apenas de acesso a mercado, mas de construção conjunta de capacidades industriais e tecnológicas. Ele concluiu afirmando que os encontros realizados reforçam a confiança de que novas empresas indianas estabelecerão parcerias no Brasil, contribuindo para ampliar o acesso a tratamentos e fortalecer o sistema público de saúde.

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