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Em Nova Déli, Lula defende parceria Brasil-Índia para evitar nova "guerra fria entre duas potências"

Presidente Lula afirma que o cenário global passa por um momento de turbulência, marcado por diversos conflitos armados e atentados terroristas

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste sábado (21) o fortalecimento da relação bilateral com a Índia, durante sua visita oficial ao país, de forma a afastar a possibilidade de uma nova "guerra fria entre duas potências". As declarações foram proferidas ao lado do primeiro-ministro do país, Narendra Modi, durante declaração conjunta à imprensa. 

Lula evitou citar diretamente os Estados Unidos e a China, as duas principais economias globais, que, nos últimos anos, vêm colidindo em uma série de questões econômicas e geopolíticas. Segundo o presidente brasileiro, Brasil e Índia, embora diferentes em vários aspectos, possuem também diversas semelhanças. Ele defendeu o aprofundamento da relação entre os países nos setores científico e tecnológico. 

O presidente Lula ainda reforçou o desejo do Brasil de aprofundar as relações entre o Mercosul, o bloco comercial da América do Sul, e a Índia, bem como o fortalecimento do Sul Global. 

"Meu caro amigo Modi, eu queria terminar dizendo a Vossa Excelência que tenha certeza absoluta de que o olhar do Brasil para a Índia é um olhar muito, muito esperançoso. Nós temos na Índia um país com muitas similaridades. Apesar da diferença de quantidade de habitantes, vários dos nossos problemas são similares, nossos conhecimentos científicos e tecnológicos estão próximos e, se nós trabalharmos juntos, a gente vai fortalecer a relação bilateral Brasil-Índia, a gente vai fortalecer a nossa relação com o Mercosul e a gente vai fortalecer o Sul Global, para que a gente não entre nunca mais numa guerra fria entre duas potências. Muito obrigado", disse o presidente Lula à imprensa durante visita de Estado à Índia, conforme divulgado em comunicado do Palácio do Planalto. "Um cenário global turbulento exige que nossos países aprofundem seu diálogo estratégico", acrescentou, ao citar conflitos na Ucrânia, na Palestina e na Caxemira. 

"Apoiamos os esforços pelo fim da guerra na Ucrânia. É igualmente urgente aliviar o sofrimento do povo Palestino. O Brasil repudiou veementemente os atentados na Caxemira", declarou Lula. 

De acordo com o presidente Lula, Brasil e Índia se complementam em diversas áreas: "Não somos apenas as duas maiores democracias do Sul Global. Este é o encontro da farmácia do mundo com o celeiro do mundo. De uma superpotência digital com uma superpotência da energia renovável. Somos ambos países megadiversos e pólos da indústria cultural. Somos ambos defensores do multilateralismo e da paz", disse ele, anteriormente na mesma declaração. Confira a íntegra da coletiva no vídeo abaixo: 

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