Haddad pode anunciar candidatura ao governo de São Paulo nesta semana
Aliados do presidente Lula pressionam por ofensiva eleitoral no maior colégio do país após avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas
247 – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pode anunciar ainda nesta semana sua pré-candidatura ao governo de São Paulo, em um movimento visto por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como decisivo para organizar o palanque petista no maior colégio eleitoral do país. A cobrança por uma ofensiva imediata do PT no Estado ganhou força diante do crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas e de sua aproximação com o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos).
As informações são do jornal Valor Econômico, que relata a expectativa de petistas de que Haddad, ex-prefeito de São Paulo, formalize a intenção de disputar o Palácio dos Bandeirantes ao lado de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A avaliação é de que São Paulo pode voltar a ser determinante no desfecho eleitoral de 2026, sobretudo num cenário em que a aprovação do governo enfrenta oscilações e o desempenho no Nordeste, reduto histórico do presidente, dá sinais de desgaste.
A urgência, segundo interlocutores do PT, se explica por uma combinação de fatores. De um lado, a lembrança de que a vantagem de Lula na capital paulista foi crucial para a vitória em 2022. De outro, a percepção de que a direita se movimenta com rapidez para consolidar alianças e definir composição de chapas, ocupando o espaço político enquanto o campo governista ainda busca uma definição clara em São Paulo.
Na sexta-feira (27), Flávio Bolsonaro se reuniu com Tarcísio de Freitas para discutir o palanque paulista e, depois, divulgou imagem ao lado do governador, em gesto público de unidade. Flávio: “Meu amigo Tarcísio, vamos estar juntos não apenas em São Paulo, mas devolvendo a esperança a todos os brasileiros”, publicou o senador em suas redes sociais, em sinalização de que o PL pretende ter protagonismo na construção da candidatura bolsonarista no Estado.
O PL, segundo a reportagem, tenta garantir a vaga de vice na chapa de Tarcísio, mas ainda não obteve confirmação. Por ora, uma das vagas ao Senado por São Paulo foi direcionada ao deputado Guilherme Derrite (PP), enquanto a outra teria sido prometida ao PL, compondo um arranjo que busca unificar forças da direita e reduzir dispersões na base do governador.
Do lado do governo, Haddad tem negado que tenha cedido à pressão de Lula para deixar o Ministério da Fazenda e se lançar ao governo paulista. Ainda assim, fontes do PT a par das tratativas afirmam que as conversas avançaram e que restariam ajustes especialmente com Alckmin, considerado peça essencial para uma campanha competitiva no Estado. A aposta é que o vice-presidente ajude a reduzir resistências no interior paulista, onde o bolsonarismo mantém ampla influência.
Em 2022, Lula venceu com folga na capital paulista, enquanto Bolsonaro levou a maioria no Estado como um todo, refletindo a força do eleitorado do interior. A estratégia petista, caso se confirme a candidatura de Haddad, seria fortalecer o desempenho na metrópole e ampliar a penetração no interior com o apoio e a imagem de Alckmin, historicamente bem avaliado em regiões menos alinhadas à esquerda.
Ao mesmo tempo, petistas dizem enxergar sinais de tensão na base de Tarcísio, especialmente pelo distanciamento entre o governador e o presidente do PSD e secretário de Governo, Gilberto Kassab. Kassab anunciou uma caravana com os três presidenciáveis do PSD — Eduardo Leite, Ratinho Júnior e Ronaldo Caiado — em agendas de filiação e articulação partidária. Diante de rumores de desgaste com Tarcísio, reagiu nas redes e buscou reafirmar a parceria: “Existem pessoas que têm dificuldades em aceitar parcerias sólidas, transparentes e corretas. Vamos continuar juntos em um projeto de São Paulo e Brasil”, escreveu.


