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Reeleição de Lula entra na zona de risco, avalia Rui Costa Pimenta

Presidente do PCO diz que denúncias, vulnerabilidade do governo e desânimo da militância podem deixar disputa “pau a pau”

Reeleição de Lula entra na zona de risco, avalia Rui Costa Pimenta (Foto: Reuters/Mike Segar | Divulgação)

247 – A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “entra na zona de risco” e o perigo eleitoral “é real”, avaliou Rui Costa Pimenta, presidente do PCO, ao analisar pesquisas recentes e o ambiente político que se forma para 2026. A entrevista foi concedida ao vivo à TV 247, na sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, em conversa semanal com o jornalista Leonardo Attuch.

Segundo Rui, a disputa tende a se tornar mais apertada porque o governo, embora apresente melhora em indicadores econômicos, segue exposto a um conjunto de fragilidades políticas, inclusive à ofensiva de denúncias que podem ganhar tração com apoio da grande imprensa. Ele sintetizou o cenário de disputa equilibrada e alertou para o impacto de qualquer abalo de imagem: “A verdade é que a eleição tá taco a taco, pau a pau. Então isso daí seguramente vai afetar a eleição”.

Pesquisas, percepção e a “zona de risco” eleitoral

Rui sustentou que pesquisas não devem ser “levadas ao pé da letra”, por serem “manipuladas e manipuláveis”, mas afirmou que o ambiente descrito pelos levantamentos é compatível com sinais prévios de alerta que ele já apontava antes de os números aparecerem. Na avaliação do dirigente do PCO, a situação “delicada” decorre de fatores que não se resolvem apenas com dados de emprego ou alívio econômico.

Ele argumentou que parte do eleitorado pode reagir mais à “percepção” do que a provas formais, sobretudo em disputas polarizadas. Ao comentar o peso político de acusações que atinjam pessoas próximas ao presidente, Rui recorreu a um paralelo histórico para reforçar como crises podem se consolidar no imaginário público: “Eleição não é um julgamento… É tudo uma questão de percepção, de aparência”.

Nesse contexto, ele também avaliou que a ofensiva judicial contra Jair Bolsonaro não eliminou o bolsonarismo — e poderia, ao contrário, fortalecê-lo. Rui afirmou: “Nós estamos vendo que o bolsonarismo tá firme e forte, saudável aí, inclusive com Bolsonaro na cadeia”.

Banco Master e CPI do INSS: o risco de a “lama” chegar ao governo

Ao ser questionado sobre o que, concretamente, colocaria a candidatura de Lula em risco, Rui apontou dois focos: o caso Banco Master e a CPI do INSS. Para ele, o problema central não seria apenas a existência de denúncias, mas a possibilidade de que elas “respingem” no governo, alimentando um ciclo de desgaste na reta eleitoral.

Rui afirmou: “Nós temos duas grandes, temos o Banco Master e nós temos a CPI do INSS. Se isso prosperar e vier a respingar a lama diretamente no governo, a candidatura do Lula vai ficar comprometida”. Ele reconheceu que, no caso do Banco Master, haveria ainda incertezas e que “até agora tem pouca” materialidade, mas considerou plausível o surgimento de fatos novos capazes de “comprometer o governo”.

Já sobre a CPI do INSS e a disputa política envolvendo a quebra de sigilo do filho do presidente, Rui avaliou que o episódio teria potencial de ampliar danos — não pela via jurídica, mas pela disputa de narrativas. Mesmo diante da posição pública do presidente, de que eventuais irregularidades do filho deveriam ser responsabilizadas, Rui argumentou que uma fração do eleitorado poderia concluir, por associação, que Lula também estaria implicado.

Ele explicou que o núcleo lulista tende a rejeitar denúncias como “tudo falso”, mas que a eleição pode ser decidida por um contingente menor, mais volátil. Rui resumiu o cálculo político: não é preciso “todo o eleitorado” virar as costas; basta uma “fração significativa” em um cenário “totalmente equilibrado”.

Grande imprensa, vulnerabilidade do governo e desânimo da militância

Rui insistiu que o governo estaria “vulnerável à crítica” e, por isso, reagiria com sensibilidade a ataques, abrindo espaço para campanhas de desgaste. Ele citou como exemplo a tentativa de associar episódios do carnaval a prejuízo político, mencionando a circulação de pesquisa interpretada como crítica à atuação do presidente. Rui avaliou: “Você atira e ele sente”.

Outro ponto central foi o ânimo da base. Rui afirmou que a militância petista estaria “desanimada” e que isso pode afetar a eleição não apenas no voto final, mas na mobilização de rua, nas redes e na capacidade de defesa política do governo. Ele comparou esse efeito à dinâmica em países centrais, onde governos socialdemocratas impopulares podem perder por abstenção de parte do eleitorado.

Ao falar de alianças estaduais e de nomes aventados para composições, Rui criticou a aproximação com figuras do centro e da centro-direita. Ele mencionou Rodrigo Pacheco em Minas Gerais e afirmou que, embora alianças possam somar votos, também podem “desmoralizar a militância esquerdista”. No mesmo bloco, ele avaliou que Fernando Haddad teria dificuldade de atrair simpatia fora do eleitorado petista: “vai ter o voto do PT”, mas não seria um polo de expansão.

Rui também voltou a um diagnóstico que, para ele, se tornou evidente desde o golpe de Estado contra Dilma: a incapacidade do PT de mobilizar amplamente a população. Na leitura do dirigente do PCO, essa fragilidade seria conhecida pela classe dominante e funcionaria como um limite estrutural para o governo: se a burguesia decidir que “não vai governar”, a sustentação política fica mais difícil.

Lula “à esquerda”, escala 6x1 e o fantasma do programa de austeridade

Questionado sobre o que poderia ser feito para melhorar o cenário eleitoral, Rui defendeu que Lula deveria “ir para a esquerda”, mas reconheceu que isso se tornou mais difícil diante da linha adotada até aqui. Ele citou uma frase atribuída ao presidente sobre ter “se dado mal” quando foi à esquerda, e respondeu com o argumento de que, eleitoralmente, teria sido justamente a polarização e um discurso mais esquerdista que garantiram vitórias anteriores — incluindo 2014, quando, segundo ele, o PT “polarizou e a Dilma ganhou”, antes de ser derrubada pelo golpe de Estado contra Dilma.

Leonardo Attuch mencionou pautas que buscam marcar contraste com a extrema direita — como a escala 6x1 e a isenção do imposto de renda —, mas Rui considerou que “essa propaganda” não seria suficiente para reverter a vulnerabilidade. Ele sugeriu que seria necessário algo mais forte, citando como exemplo a experiência colombiana: o presidente Gustavo Petro teria impulsionado seu campo político ao propor aumentos expressivos no salário mínimo por decreto, mesmo enfrentando resistência institucional.

Rui foi ainda mais duro ao criticar a condução econômica em torno dos juros e do Banco Central, afirmando que não faz sentido agradecer por uma taxa em patamar elevado. Ele declarou: “O cara aumentou a taxa de juros para 15% ao ano. É uma loucura total… Situação social no Brasil é difícil”.

Ao falar do outro polo, Rui avaliou que Flávio Bolsonaro se consolida como candidato da direita e busca se credenciar perante o mercado financeiro, com promessas neoliberais e postura de “candidato do sistema”. Na visão dele, isso não impede a vitória eleitoral: o bolsonarismo permanece forte e se beneficia de um fenômeno internacional de crise e revolta social, hoje capitalizado mais pela direita do que pela esquerda.

Rui também afirmou que a classe dominante quer, para o Brasil, uma política semelhante à de Javier Milei na Argentina — e sugeriu que, se Lula vencer, pode enfrentar pressão para aprofundar concessões ao mercado financeiro. Para ele, o eixo do problema estaria no “mercado financeiro” e no “imperialismo”. Nesse debate, Donald Trump foi citado por um espectador como referência de subordinação ao imperialismo, e Rui sustentou que um governo alinhado a esse eixo agravaria o quadro.

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