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Lula: 'tenho compromisso ético de não permitir que um fascista volte a governar o país'

Presidente critica Flávio Bolsonaro e vincula a eleição de 2026 à defesa da democracia

Lula: 'tenho compromisso ético de não permitir que um fascista volte a governar o país' (Foto: Ricado Stuckert / PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende levar o debate de 2026 para o campo da seriedade, da ética e do compromisso com a verdade. Ao comentar a disputa eleitoral, ele criticou o uso de desinformação por adversários, reagiu a uma publicação falsa sobre a fome no Brasil e disse que tem o dever de impedir retrocessos políticos e institucionais no país. Em entrevista à TV 247, em parceria com a Revista Fórum e o DCM, nesta terça-feira (14), o presidente associou o próximo processo eleitoral à necessidade de um confronto mais direto contra notícias falsas e ataques à democracia.

Ao abordar uma postagem feita pelo senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula criticou o uso de imagens antigas para atacar o governo federal. A publicação usou registros de pessoas buscando alimentos em um caminhão de lixo em Fortaleza para associar a cena à atual gestão, embora as imagens tenham sido feitas em outubro de 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), pai do pré-candidato.

Diante desse episódio, Lula afirmou que a disputa política não pode se sustentar em manipulação. “Quem mentir daqui pra frente será pego de calças curtas. Como o Flávio”, disse o presidente. Na mesma entrevista, Lula subiu o tom ao falar sobre o risco de retorno da extrema direita ao comando do país. “Tenho o compromisso moral e ético de não permitir que um fascista volte a governar o país”, afirmou.

O presidente também disse que a sociedade precisa chegar à eleição discutindo temas centrais para a escolha de um chefe de Estado, sem que a mentira contamine o processo democrático. “Precisamos levar a sociedade brasileira ao momento eleitoral discutindo com seriedade o que precisamos discutir para escolher um chefe de Estado. Se ela for na base da mentira, o resultado pode ser um desastre para a democracia e para a sociedade brasileira”, declarou.

Disposição para disputar novo mandato

Lula aproveitou a entrevista para reforçar que mantém disposição para uma nova campanha presidencial. Ao falar sobre o futuro político, ele afirmou que se sente energizado para seguir no cargo e alegou que ainda há uma extensa agenda a ser executada.

“Nunca tive tanta energia para ser presidente da República como agora”, disse. Em seguida, sustentou que o atual mandato ainda está em fase de reconstrução do país após os problemas herdados da administração anterior. “Eu tenho muita coisa para fazer nesse país. Tem muita coisa. Nós apenas começamos a alicerçar. Foi mais difícil recuperar os anos de desastre do governo anterior do que começar em 2003”, completou em referência ao seu primeiro mandato à frente do Executivo Federal. 

Ao projetar um eventual novo mandato, Lula vinculou esse plano à ideia de desenvolvimento. “O meu compromisso no quarto mandato é para fazer o país dar um salto definitivo para se transformar num país desenvolvido”, afirmou.

Críticas à interferência externa e menção a Trump

Questionado sobre a possibilidade de influência externa na eleição brasileira de 2026, Lula disse não demonstrar receio, mas criticou o que classificou como interferência indevida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos processos eleitorais de outros países. 

“Tenho visto o Trump dando palpite na eleição de Honduras e da Costa Rica. É um absurdo, uma intromissão sem precedentes na soberania de um país. Aqui ele ainda não fez, mas meus adversários tem um filho lá, tem filho pedindo intervenção americana no Brasil. Acho isso um erro de comportamento, tanto deles pedindo quanto do Trump fazendo”, ressaltou.

No mesmo trecho da entrevista, Lula classificou como “inconsequente” a guerra dos Estados Unidos contra o Irã e disse que Trump não precisa “ameaçar o mundo”. O presidente brasileiro também manifestou solidariedade ao papa Leão XIV após críticas feitas pelo mandatário norte-americano, segundo o conteúdo publicado pela fonte original.

Prisão de Alexandre Ramagem

Outro tema tratado por Lula foi a situação de Alexandre Ramagem (PL-RJ). Ao comentar a prisão do ex-chefe da Abin e ex-deputado federal nos Estados Unidos, nesta segunda-feira (13), o presidente disse esperar que ele seja deportado ou extraditado ao Brasil para cumprir pena. “O Ramagem eu acho que vai vir para cá. A direita aqui no Brasil está dizendo que ele foi preso numa multa de trânsito. Não, ele foi pego porque foi condenado a 16 anos de prisão. É um golpista que está condenado”, afirmou.

Economia, dívida das famílias e apostas digitais

Na área econômica, Lula destacou indicadores que, segundo ele, mostram melhora do cenário nacional, como o dólar abaixo de R$ 5, o aumento da massa salarial e a valorização da bolsa. Ao mesmo tempo, observou que a herança recebida pelo atual governo exigiu uma ampla reorganização. “Quando você encontra uma economia destruída, você não pode começar a administrar sem levar em conta que ela está destruída e que você tem que consertá-la”, declarou.

O presidente acrescentou que os números positivos da economia precisam chegar à vida concreta da população. Nesse contexto, citou a formulação de um programa de renegociação de dívidas e mencionou a preocupação do governo com a expansão das plataformas de apostas digitais.

Lula afirmou que o problema da jogatina já entrou no cotidiano das famílias por meio dos celulares. “Os cassinos estão dentro das casas das pessoas, em seus celulares”, disse, ao defender uma reação do poder público ao avanço desse mercado.

Fim da escala 6x1 e regulação do trabalho por aplicativos

Ao tratar de pautas em debate no Congresso, Lula mencionou a discussão sobre o fim da escala 6x1 e a regulamentação do trabalho de motoristas e entregadores por aplicativo. Segundo ele, o governo pretende encaminhar propostas levando em consideração a mobilização social e as demandas apresentadas por trabalhadores. “Estamos trabalhando com muito afinco para, quando mandarmos os projetos do governo, eles possam atender ao máximo as demandas das pessoas”, afirmou.

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