Oportunidade: Lula celebra a palavra que define 21 anos do ProUni e políticas de cotas
Presidente destaca impacto das cotas e anuncia expansão de cursinhos populares e criação de escola nacional de hip-hop
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as políticas públicas de inclusão educacional no Brasil transformaram vidas ao ampliar o acesso ao ensino superior, durante evento realizado nesta terça-feira (31), em São Paulo. As declarações ocorreram na celebração dos 21 anos do Programa Universidade para Todos (Prouni) e dos avanços da política de cotas. As informações foram divulgadas pela Agência Gov, via Planalto.
A cerimônia, realizada no Sambódromo do Anhembi e que reuniu cerca de 15 mil pessoas, marcou também os 14 anos da Lei de Cotas nas universidades federais e os 10 anos da formatura da primeira turma de estudantes cotistas. O evento contou com a presença de estudantes, beneficiários de programas sociais e representantes de movimentos populares.
“O que nós fizemos foi dar oportunidade”
Em seu discurso, Lula ressaltou que as políticas educacionais implementadas ao longo dos últimos anos tiveram como principal objetivo garantir oportunidades iguais para a população brasileira.
“Não há muro, não há cerca quando a gente tem um governo que abre as portas e abre o espaço para que vocês coloquem pra fora aquilo que vocês querem ser. O que nós fizemos foi apenas dar oportunidade. O que vocês fizeram foi provar que dando e tendo oportunidade, qualquer um desse país pode chegar aonde quiser”, afirmou o presidente.
O chefe do Executivo destacou ainda que histórias de sucesso de beneficiários dessas políticas comprovam a importância da decisão política de priorizar a educação.
“A Marina, o Douglas, a Jaira e a Diana mostraram que valeu a pena a gente acreditar na educação. Isso tudo é resultado de uma decisão política. Toda e qualquer criança, homem e mulher, de qualquer cor, de qualquer religião, tem o direito de fazer universidade e ser doutor nesse país. Hoje é um dia em que nós estamos agradecendo a vocês por vocês existirem e por fazerem a gente ter certeza que a gente está certo quando a gente acredita”, declarou.
Histórias que simbolizam transformação social
Durante o evento, foram apresentados casos de estudantes que tiveram suas trajetórias transformadas por programas como o Prouni e a política de cotas.
O diplomata Douglas Rocha Almeida destacou a importância das políticas públicas em sua formação. “Para toda a meninada que me assiste, eu diria que perseverança não tem classe social. Todos nós podemos perseverar. Hoje, eu sou diplomata brasileiro, minha mãe recebeu Bolsa Família, eu fui oriundo do Prouni e, por conta dele, o meu pai, pedreiro, minha mãe, diarista, hoje têm um filho diplomata”, disse.
Já a médica quilombola Marina da Silva Barbosa ressaltou o papel das cotas na democratização do ensino superior. “Graças à oportunidade que o governo me deu, hoje eu posso dizer: eu sou doutora, formada na faculdade de medicina da Universidade Federal da Bahia. Se eu consegui, vocês também conseguem. Vamos honrar as cotas, porque a cara das universidades mudou”, afirmou.
Governo anuncia ampliação de políticas educacionais
O ministro da Educação, Camilo Santana, apresentou dados sobre a expansão das políticas de acesso ao ensino superior e anunciou novas iniciativas.
“Em 2026, presidente, o senhor realizou o maior Sisu da história desse país. Em 2026, nós fizemos o maior Prouni da história: 594 mil bolsas. É a principal porta de acesso dos jovens à universidade. O senhor criou nesse seu terceiro governo o Fies Social. Implementou as cotas no Fies e garantiu que mais jovens pudessem ter oportunidade. Nós mudamos a Lei de Cotas para incluir os alunos quilombolas na nova lei”, afirmou.
Entre as medidas anunciadas está a ampliação do edital da Rede de Cursinhos Populares (CPOP), que passará a apoiar mais de 800 cursinhos em todo o país, com investimento de R$ 290 milhões. A iniciativa busca ampliar o acesso de estudantes de baixa renda ao ensino superior, especialmente aqueles oriundos da rede pública, negros, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência.
Outra novidade é a criação da Escola Nacional de Hip-Hop (H2E), com investimento de R$ 50 milhões entre 2026 e 2027. O programa pretende integrar cultura e educação, promovendo inovação pedagógica e valorização da cultura afro-brasileira nas escolas.
Origem do Prouni e impacto estrutural
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, relembrou a origem do Prouni e destacou o impacto social do programa. “Foi a partir dessa carta que eu e a Ana Estela começamos a trabalhar naquilo que viria a ser o Prouni, que tem uma fórmula de distribuição de vagas entre negros e brancos, que deu a inspiração para fazer o Sisu e o projeto de cotas”, relatou.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, também enfatizou a importância das ações afirmativas em sua trajetória. “Tenho a honra de dizer que entrei na universidade pública por cotas, sim. Tenho a honra de dizer que entrei no mestrado e no doutorado por cotas, filha de uma diarista, uma mulher nordestina da favela da Maré. Se não fossem as cotas raciais na minha vida, eu não seria o que sou”, afirmou.
Expansão do acesso ao ensino superior
Criado em 2005, o Prouni consolidou-se como uma das principais políticas de inclusão educacional do país. Ao longo de 21 anos, o programa registrou mais de 27 milhões de inscritos e ofertou mais de 7,7 milhões de bolsas, com cerca de 3,6 milhões efetivamente ocupadas até 2025, quando mais de 1,5 milhão de estudantes já haviam se diplomado.
Entre 2023 e 2026, foram ofertadas mais de 2,3 milhões de bolsas, incluindo o recorde de 594 mil na primeira edição de 2026. A maioria dos beneficiários é composta por mulheres e estudantes negros.
O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) também desempenha papel central na implementação da política de cotas. Desde 2013, mais de 790 mil estudantes cotistas ingressaram em universidades públicas por meio do sistema. Apenas entre 2023 e 2026, foram mais de 307 mil ingressos, representando 39% do total histórico.
Já o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), fortalecido com a criação do Fies Social em 2024, ampliou o acesso ao crédito educacional, reservando até 50% das vagas para estudantes de baixa renda inscritos no Cadastro Único, com financiamento integral dos cursos.
Educação como instrumento de transformação
As políticas públicas de acesso ao ensino superior vêm transformando o perfil das universidades brasileiras, ampliando a presença de estudantes historicamente excluídos, especialmente negros e oriundos da escola pública.
Ao promover inclusão social, diversidade e equidade racial, iniciativas como o Prouni, o Sisu e o Fies consolidam-se como instrumentos centrais para o desenvolvimento do país e para a construção de uma sociedade mais justa.


