Simone Tebet pode trocar MDB pelo PSB para disputar o Senado por São Paulo e fortalecer ala feminina do partido
Movimento articulado por Tabata Amaral ganha força no PSB, que também tenta atrair Marina Silva para ampliar presença feminina
247 – A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, é esperada pelo PSB como um nome de peso para a disputa ao Senado por São Paulo nas eleições deste ano, em uma articulação que combina estratégia eleitoral, fortalecimento da presença feminina no partido e construção de um palanque competitivo para o campo governista no principal colégio eleitoral do País.
Segundo informações publicadas pelo Valor, a cúpula do PSB trabalha com um cenário otimista para a filiação de Tebet, caso ela confirme sua saída do MDB. A movimentação envolveria também a transferência de seu domicílio eleitoral para São Paulo, numa operação que, de acordo com aliados e interlocutores, depende da definição política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conduz pessoalmente a montagem da chapa governista no Estado.
Tebet, até aqui, tem mantido silêncio público sobre o tema. Procurada por meio de sua assessoria, ela não comentou o assunto. Nos bastidores, porém, os sinais são interpretados como consistentes o bastante para alimentar a expectativa de mudança partidária após quase três décadas de filiação ao MDB.
PSB aposta em Tebet como nome de peso em São Paulo
A possível chegada de Simone Tebet é vista pelo PSB como um movimento de grande impacto político. Além de reforçar a presença da legenda no debate nacional, a ministra poderia ampliar o apelo eleitoral do partido em São Paulo e consolidar uma estratégia mais ampla de valorização de lideranças femininas.
A deputada federal Tabata Amaral, que preside o PSB na capital paulista, é uma das principais articuladoras da operação. Segundo relatos de bastidores, ela tem demonstrado otimismo com a possibilidade de Tebet aceitar o convite e se somar ao projeto de fortalecimento da ala de “mulheres fortes” da sigla.
Tabata vem trabalhando para ampliar o espaço do PSB em São Paulo e estabeleceu como meta ajudar o partido a eleger cinco deputados federais no Estado. Nesse desenho, além de sua própria reeleição, entram as apostas em nomes como Marina Helou e a deputada estadual Andréa Werner, que podem disputar vagas na Câmara dos Deputados.
Nos últimos dias, de acordo com o relato publicado, Tabata manteve novas conversas com Tebet e reiterou o convite para que ela se filie ao partido. A articulação conta ainda com o entusiasmo de outras figuras centrais do PSB, como o presidente nacional da legenda, João Campos, prefeito do Recife e pré-candidato ao governo de Pernambuco, e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.
Ainda que Tebet não tenha dado resposta definitiva, interlocutores afirmam que o PSB é hoje o destino mais provável caso a ministra decida deixar o MDB.
Decisão final passa pelo presidente Lula
Embora a movimentação partidária esteja em curso, a palavra final deve partir do presidente Lula. Integrantes do PT e de partidos aliados avaliam que a formação da chapa em São Paulo será definida a partir de uma lógica mais ampla de composição nacional, levando em conta o equilíbrio entre nomes competitivos para o governo estadual e para o Senado.
Nesse tabuleiro, Fernando Haddad aparece como o nome mais cotado para a disputa ao Palácio dos Bandeirantes. Já para o Senado, Simone Tebet e Marina Silva surgem como opções consideradas fortes pelo campo governista.
A centralidade do presidente nessa montagem é reforçada também pelo próprio comportamento de Tebet. No MDB, dirigentes avaliam que a ministra não tem feito desmentidos categóricos sobre a eventual desfiliação e, ao mesmo tempo, tem reiterado que aceitará a missão que Lula lhe atribuir.
Em Mato Grosso do Sul, seu Estado de origem, o próprio diretório local do MDB já trabalha com a hipótese de uma eleição sem a participação da ministra. Em São Paulo, por sua vez, a situação do partido é ainda mais delicada para Tebet: a legenda está alinhada ao governador Tarcísio de Freitas, adversário do campo lulista.
Saída do MDB ganha força após quase 30 anos
A eventual ruptura de Simone Tebet com o MDB teria peso simbólico e político. Trata-se de uma dirigente com longa trajetória partidária, ex-senadora e figura que ganhou projeção nacional sobretudo após a eleição presidencial de 2022, quando se tornou uma das vozes mais relevantes da centro-direita democrática antes de aderir à frente ampla que levou Lula de volta ao Palácio do Planalto.
O ambiente interno no MDB, segundo integrantes ouvidos sob reserva, já indica que a saída passou a ser tratada como um cenário plausível. A avaliação é de que os movimentos recentes da ministra apontam nessa direção, ainda que ela mantenha discrição pública.
A combinação entre o alinhamento do MDB paulista com Tarcísio e a estratégia do governo federal para 2026 torna a permanência de Tebet na legenda cada vez mais difícil sob o ponto de vista eleitoral. Por isso, sua ida ao PSB passou a ser vista não apenas como possibilidade, mas como peça relevante na reorganização das forças aliadas do governo em São Paulo.


