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Uso de drogas ilícitas quase dobra entre brasileiros, aponta Unifesp

A cannabis foi apontada como o principal fator do crescimento

Cannabis (Foto: Divulgação)

247 - O número de brasileiros que afirmam já ter experimentado alguma substância psicoativa ilícita ao menos uma vez na vida quase dobrou em pouco mais de uma década. Segundo dados publicados neste domingo (22) pelo Portal G1, o índice saltou de 10,3% para 18,8% em um intervalo de 11 anos. Os números integram o III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O estudo, que ouviu 16.608 pessoas em todo o território nacional — incluindo zonas urbanas e rurais —, mediu o consumo recente de 16 drogas ilícitas entre brasileiros com mais de 14 anos. A amostra foi construída a partir do sorteio de 900 setores censitários distribuídos por diferentes municípios, com seleção proporcional à renda média dos domicílios e uso de programa de geração de números aleatórios para garantir representatividade estatística.

Cannabis explica a maior parte do aumento

Para a psicóloga Clarice Madruga, coordenadora do levantamento, o crescimento registrado não chegou a surpreender. Ela atribui o salto tanto ao longo período entre as edições da pesquisa — a última havia sido realizada em 2012 com a mesma metodologia — quanto a mudanças na percepção social sobre os riscos associados ao consumo de drogas.

Madruga contextualiza o cenário brasileiro à época do levantamento anterior: "O Brasil tinha, em 2012, uma prevalência de consumo de maconha baixa em relação a outros países." Segundo ela, o que se destacava naquele período era outro perfil de consumo: "A prevalência mais alta, na verdade, que se destacava naquela época era o consumo de cocaína e crack."

A pesquisadora também chama atenção para uma hipótese que emerge da comparação entre os dois levantamentos. "O que parece ter ocorrido nesses 11 anos, embora ainda faltem evidências mais robustas, é que o uso ao longo da vida aumentou, enquanto o uso recente não. Isso sugere que, em algum momento do período, pode ter havido crescimento no consumo de cocaína e crack que não foi captado na época, e que depois se estabilizou", pontuou.

A conclusão de Madruga sobre o crescimento geral é direta: "Assim, o aumento de cerca de 80% é explicado principalmente pela cannabis, que antes estava muito abaixo da média."

Como a pesquisa foi feita

A metodologia do Lenad III foi desenhada para garantir abrangência e precisão. Após o sorteio dos setores censitários, os domicílios de cada setor foram listados e uma parte deles selecionada aleatoriamente. O critério de ordenação por renda média permitiu que a amostra refletisse a diversidade socioeconômica do país, tornando os resultados representativos tanto para grandes centros urbanos quanto para municípios menores e regiões rurais.

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