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Bolsonaro recebe prisão domiciliar, melhora e pode ter alta até sexta-feira

Médico afirma evolução positiva após pneumonia e prevê saída do hospital, enquanto STF autoriza prisão domiciliar por 90 dias

Bolsonaro recebe prisão domiciliar, melhora e pode ter alta até sexta-feira (Foto: Marcelo Carmargo/Agência Brasil | ABr)

247 - Jair Bolsonaro (PL) apresenta evolução clínica considerada positiva após duas semanas de internação no Hospital DF Star, em Brasília, e pode receber alta médica até a próxima sexta-feira, segundo informou o médico Brasil Ramos Caiado, integrante de sua equipe. A previsão está condicionada à ausência de intercorrências e ao término do tratamento com antibióticos, previsto para esta quinta-feira (26), informa o jornal O Globo.

De acordo com o médico, exames recentes indicam um quadro estável e tranquilizador, apesar da persistência de uma lesão residual no pulmão esquerdo. Ramos Caiado destacou que o período de internação já estava dentro do esperado para casos semelhantes. “Como o antibiótico termina amanhã, estamos com previsão para alta na sexta-feira. O raio-X de ontem à noite nos deixou muito tranquilos. No início da internação, já havíamos estimado um período de mais ou menos 14 dias, pela nossa experiência em quadros semelhantes. Há ainda uma lesão residual no pulmão esquerdo, mas isso já era esperado”, afirmou.

O médico também relatou melhora no estado geral do ex-presidente, incluindo a redução dos episódios de soluço, e mencionou a reação de Bolsonaro diante da possibilidade de cumprir a pena em casa. “No início da internação, ele percebeu a gravidade do problema, ficou bastante abatido. Com a melhora, ele foi voltando (a ficar melhor). Recebeu com satisfação (a notícia de que vai para casa)”, disse.

Ainda segundo Ramos Caiado, a residência de Bolsonaro, localizada em um condomínio na capital federal, está sendo adaptada para garantir melhores condições de recuperação. “O ambiente domiciliar está em preparação pela família. Já foi providenciada uma cama diferenciada por conta do refluxo. O ambiente residencial é sempre melhor, agora a decisão judicial não compete a nós”, explicou. Após a recuperação do quadro pulmonar, há também a possibilidade de o ex-presidente passar por cirurgia no ombro direito.

Na véspera da previsão de alta, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a concessão de prisão domiciliar por 90 dias, com caráter temporário e humanitário, a partir da saída do hospital. A medida tem como objetivo garantir a plena recuperação do quadro de broncopneumonia aspirativa diagnosticado no ex-presidente.

Na decisão, Moraes destacou que a condição clínica de Bolsonaro — aliada à idade e ao histórico médico — justifica a permanência em ambiente domiciliar, onde poderá seguir tratamento com maior controle. O ministro determinou que, ao fim do prazo, a situação será reavaliada, podendo haver nova perícia médica.

O magistrado também estabeleceu uma série de restrições durante o período de domiciliar, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de comunicação externa por qualquer meio, suspensão de visitas — com exceções específicas — e restrições a manifestações nas proximidades da residência. O monitoramento ficará sob responsabilidade da Polícia Militar do Distrito Federal, com envio de relatórios periódicos.

Ao justificar a decisão, Moraes ressaltou que o quadro clínico exige cuidados rigorosos, como repouso, controle de infecções e acompanhamento médico constante. Segundo ele, a recuperação completa pode levar entre 45 e 90 dias.

Apesar de autorizar a domiciliar, o ministro rejeitou o argumento da defesa de que a prisão teria agravado o estado de saúde do ex-presidente. “A intercorrência médica (‘pneumonia bacteriana secundária a episódio de broncoaspiração pulmonar’) ocorreria independentemente do local de custódia (estabelecimento penitenciário/residência) e, dificilmente, o atendimento e remoção do custodiado seria mais célere e eficiente se estivesse em prisão domiciliar”, afirmou na decisão.

A defesa de Bolsonaro avaliou a medida como uma retomada de coerência por parte do STF, embora tenha criticado o caráter temporário da decisão. Em nota, o advogado Paulo Amador da Cunha Bueno afirmou: “Ao deferir a custódia domiciliar restabelece-se a coerência jurisprudencial da Corte (...). A modalidade ‘temporária’ da prisão domiciliar é singularmente inovadora, não se podendo perder de vista que, lamentavelmente, as condições e necessidades especiais que o Presidente demanda são permanentes”.

Bolsonaro foi internado no último dia 13 após diagnóstico de pneumonia bacteriana, tendo passado por período em unidade de terapia intensiva antes de ser transferido para a ala semi-intensiva. A internação levou a uma nova solicitação de prisão domiciliar por parte da defesa, que já havia sido negada anteriormente.

O histórico médico do ex-presidente, segundo seus advogados, inclui doenças respiratórias e outras comorbidades que exigem monitoramento contínuo. Antes da internação, ele cumpria pena em unidade da Polícia Militar no Distrito Federal, após ter sido preso em novembro do ano passado.

Com a evolução do quadro clínico e a decisão do STF, a expectativa é que Bolsonaro conclua a fase hospitalar do tratamento nos próximos dias e siga a recuperação em casa sob monitoramento rigoroso.

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