Caso Master: PF não descarta delação de ex-presidente do BRB
Paulo Henrique Costa poderá firmar acordo caso apresente fatos inéditos e provas sobre fraudes no BRB
247 - A Polícia Federal mantém aberta a possibilidade de negociar um acordo de delação premiada com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso preventivamente desde abril no âmbito da Operação Compliance Zero. A informação foi divulgada pela coluna da jornalista Mirelle Pinheiro, no portal Metrópoles.
Investigadores da PF não descartam uma eventual colaboração do ex-dirigente do BRB, desde que ele apresente informações inéditas, relevantes e passíveis de comprovação. Entre os principais pontos de interesse das autoridades estão detalhes sobre o chamado “caminho do dinheiro” e a devolução de recursos ligados às supostas fraudes investigadas.
Paulo Henrique Costa é alvo de apuração sobre possíveis irregularidades envolvendo operações entre o BRB e o Banco Master. Um relatório da Polícia Federal enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta indícios de participação direta do BRB nas fraudes sob investigação.
As investigações incluem mensagens trocadas entre Paulo Henrique Costa e o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Em uma das conversas analisadas pela PF, após negociações envolvendo imóveis de luxo em São Paulo, Costa afirmou que ambos estariam “juntando suas vidas”.
Segundo os investigadores, os imóveis teriam sido utilizados como contrapartida a aportes bilionários feitos pelo BRB no Banco Master. A suspeita da PF é de que Paulo Henrique Costa tenha concordado em receber seis imóveis avaliados em aproximadamente R$ 146 milhões. Desse montante, cerca de R$ 74 milhões já teriam sido pagos.
Entre os bens citados na investigação está um apartamento no condomínio Heritage, localizado no bairro Itaim Bibi, em São Paulo, avaliado em aproximadamente R$ 45 milhões.
A Polícia Federal afirma que as mensagens obtidas mostram um fluxo contínuo de comunicação entre os envolvidos, incluindo discussões sobre valores, unidades imobiliárias e o andamento das negociações. Ainda segundo a investigação, as tratativas foram interrompidas abruptamente após uma suposta informação privilegiada sobre o avanço da operação policial.
Os investigadores suspeitam que Daniel Vorcaro tenha sido alertado de forma irregular sobre a existência da investigação da PF, o que teria levado à paralisação das negociações imobiliárias.
As operações envolvendo os imóveis foram apontadas como um dos principais fundamentos para os pedidos de prisão de Paulo Henrique Costa e do advogado Daniel Monteiro.
O ex-presidente do BRB foi preso preventivamente em 16 de abril de 2026, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. Atualmente, ele está detido no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.



