Chacina no DF: réus recebem mais de 1.200 anos de prisão
Condenações por assassinato de 10 pessoas da mesma família somam mais de 1,2 mil anos após julgamento histórico em Planaltina
247 - A Justiça do Distrito Federal condenou cinco réus pela morte de dez integrantes de uma mesma família, em crimes ocorridos entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, cuja soma das penas ultrapassa 1,2 mil anos de prisão. O julgamento, considerado o maior da história do DF, ocorreu no Fórum de Planaltina e terminou com a responsabilização dos acusados por homicídios, sequestros e ocultação de cadáveres, entre outros crimes, conforme decisão do júri, informa o jornal O Globo.
O conselho de sentença acolheu a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e declarou culpados Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva. As penas variam de mais de 390 anos a dois anos de reclusão, de acordo com o grau de participação de cada acusado.
Segundo a acusação, o grupo agiu com o objetivo de tomar posse da Chácara Quilombo, localizada no Itapoã, que estava sob domínio de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. A ação criminosa resultou na morte dele e de outros nove familiares, em um caso classificado pela promotoria como “familicídio”.
O promotor Marcelo Leite destacou o impacto emocional do julgamento e a gravidade dos crimes. “Foi um julgamento muito emocional por envolver crianças. A família esteve presente em todos os dias, muito sentida pela tragédia. Essa dor foi combustível para o Ministério Público, especialmente durante nossa sustentação. O resultado foi dentro do esperado, onde os principais envolvidos foram condenados em todos os crimes propostos. Essa barbaridade teve resposta à altura”, afirmou.
Gideon Batista de Menezes, apontado como mentor do plano, recebeu a maior pena: 397 anos, 8 meses e 4 dias de prisão. Carlomam dos Santos Nogueira foi condenado a 351 anos, 1 mês e 4 dias. Horácio Carlos Ferreira Barbosa recebeu pena de 300 anos, 6 meses e 2 dias. Já Fabrício Silva Canhedo foi condenado a 202 anos, 6 meses e 28 dias. Carlos Henrique Alves da Silva, considerado de participação mais limitada, recebeu pena de 2 anos em regime inicial semiaberto.
As investigações apontaram que as vítimas foram atraídas sob falsos pretextos, rendidas e levadas para um cativeiro em Planaltina. O primeiro a ser morto foi Marcos Antônio, cujo corpo foi encontrado esquartejado e enterrado. Posteriormente, outros familiares foram assassinados em diferentes locais, incluindo Cristalina (GO) e Unaí (MG), muitos deles após sofrerem ameaças e extorsões.
De acordo com o delegado Achilles Benedito, Gideon exercia liderança sobre os demais envolvidos. “O Horácio foi braço-direito, o Carlomam teria sido o executor direto, Fabrício na vigilância do cativeiro e Carlos Henrique de forma eventual”, declarou durante o julgamento.
O caso revelou um plano estruturado que incluía sequestros, extorsões e assassinatos para obter dinheiro e assumir o controle da propriedade avaliada em cerca de R$ 2 milhões. As vítimas incluíam adultos e crianças, o que agravou a repercussão do crime.
Durante o julgamento, os réus apresentaram versões distintas. Gideon negou participação ativa e tentou atribuir a liderança do plano a uma das vítimas. Horácio permaneceu em silêncio. Fabrício admitiu envolvimento parcial, alegando não ter participado dos assassinatos. Carlomam confessou ter atirado em Marcos Antônio, mas disse que o disparo foi acidental. Carlos Henrique reconheceu participação em um roubo, mas negou conhecimento de sequestros ou homicídios.
A leitura das sentenças foi feita pelo juiz Taciano Vogado Rodrigues Junior, encerrando um dos processos criminais mais complexos e impactantes já julgados no Distrito Federal.


