Clima na Polícia Federal é de alívio após transferência de Bolsonaro para Papudinha
Transferência reduziu pressão logística e operacional na PF, segundo investigadores
247 - A transferência de Jair Bolsonaro (PL) para a unidade prisional conhecida como Papudinha gerou um clima de alívio entre servidores da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. De acordo com relatos internos, a permanência do ex-mandatário no prédio da PF vinha impondo uma rotina atípica, com impactos diretos na logística e no funcionamento da unidade, originalmente destinada a detenções temporárias, relata o Metrópoles.
Segundo investigadores, a saída de Bolsonaro “desafogou” a estrutura da Superintendência da PF, que já era considerada inadequada para uma detenção de longo prazo, avaliação que antecede inclusive a condenação do ex-presidente pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro do ano passado.
A transferência ocorreu na quinta-feira (15), por determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator responsável pela execução da pena. Bolsonaro deixou as dependências da Polícia Federal e passou a ocupar uma sala de Estado-Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, localizado no Núcleo de Custódia da PM, área conhecida como Papudinha, anexa ao Complexo Penitenciário da Papuda.
Internamente, a avaliação majoritária entre agentes e servidores é de que a decisão foi acertada. Para investigadores, a Papudinha oferece um espaço mais amplo e condições consideradas mais compatíveis com a situação jurídica de Bolsonaro, ao mesmo tempo em que reduz a pressão operacional sobre a Polícia Federal, que não dispõe de estrutura adequada para custodiar presos por períodos prolongados.
Bolsonaro estava detido desde 22 de novembro de 2025 na Superintendência da PF, em Brasília. Nos dias que antecederam a transferência, a defesa apresentou diversos pedidos ao STF solicitando a conversão da prisão em regime domiciliar. Os advogados também questionaram as condições da custódia e chegaram a requerer a instalação de uma televisão com acesso à internet. As solicitações foram rejeitadas por Alexandre de Moraes, que afirmou que Bolsonaro já dispunha de privilégios e rebateu críticas feitas por filhos e aliados ao local da detenção.
Ao determinar a mudança para a Papudinha, o ministro destacou que a nova unidade garantiria condições ainda mais adequadas para o cumprimento da pena. Moraes autorizou visitas semanais da esposa, Michelle Bolsonaro, e dos filhos, além do fornecimento diário de marmitas. O acesso a uma Smart TV, no entanto, foi negado.
A sala de Estado-Maior destinada a Bolsonaro é semelhante à ocupada anteriormente por Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e por Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, ambos também condenados. Embora o espaço tenha capacidade para até quatro pessoas, ele será utilizado exclusivamente pelo ex-presidente.
A decisão judicial estabeleceu ainda uma série de condições específicas para a custódia, como assistência médica integral por profissionais particulares previamente cadastrados, atendimento médico em regime de plantão pelo sistema penitenciário, autorização para sessões de fisioterapia, alimentação especial diária entregue por pessoa indicada pela defesa, visitas semanais de familiares, assistência religiosa com dois líderes indicados, permissão para leitura e instalação de equipamentos de apoio e fisioterapia, como barras na cama, esteira e bicicleta.
Localizada no Jardim Botânico, a Papudinha fica a poucos metros das alas da Papuda destinadas a presos comuns e tem capacidade para cerca de 60 detentos. O prédio conta com oito celas em formato de alojamentos coletivos, equipadas com banheiro, chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala. Reformadas em 2020, as instalações também dispõem de consultório médico, áreas para prática esportiva e espaço exclusivo para atendimento de advogados.
O Núcleo de Custódia da Polícia Militar é destinado a militares estaduais, civis com direito à sala de Estado-Maior — como advogados e determinadas autoridades — e presos que aguardam definições sobre a perda de cargo. A fiscalização da unidade é realizada pela Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, responsável por acompanhar o cumprimento das penas e medidas de segurança.


