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Daniel Vorcaro usou bloqueador militar para impedir drones em festa

O empresário queria impedir que drones controlados por terceiros registrassem imagens do encontro na mansão dele, avaliada em R$ 280 milhões

Flávio Bolsonaro (Foto: Divulgação)

247 - O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, utilizou um bloqueador de drones normalmente empregado por forças militares durante uma confraternização realizada em sua residência em janeiro deste ano. A informação foi divulgada pela coluna do jornalista Paulo Cappelli nesta segunda-feira (9).

O equipamento foi usado para impedir que drones controlados por terceiros registrassem imagens do encontro ocorrido na mansão do empresário, avaliada em cerca de R$ 280 milhões. Vorcaro costumava receber autoridades e parceiros de negócios em eventos privados.

De acordo com as informações publicadas, o bloqueador utilizado pelo banqueiro era de fabricação estrangeira. A legislação brasileira restringe o uso desse tipo de tecnologia, que normalmente depende de autorização e deve seguir regras estabelecidas por órgãos reguladores.

Como o dispositivo não era nacional, ele não se submetia aos sistemas de controle da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) nem da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A medida teria sido adotada para evitar que drones registrassem imagens dos convidados presentes no evento.

Investigações

As suspeitas envolvendo o Banco Master vieram à tona a partir de informações reunidas pela Polícia Federal (PF) durante as investigações conduzidas sobre o caso. O material analisado pelos investigadores também aponta possíveis irregularidades relacionadas à atuação da instituição financeira.

Segundo as apurações da PF, as práticas sob investigação podem ter provocado um prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por ressarcir investidores em situações de quebra ou insolvência de instituições financeiras.

As investigações indicam ainda que Daniel Vorcaro já havia sido alvo de uma ordem de prisão no ano anterior. Na ocasião, o empresário conseguiu liberdade provisória mediante a utilização de tornozeleira eletrônica.

A nova ordem de prisão foi fundamentada em mensagens encontradas no telefone celular do banqueiro, aparelho apreendido durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. De acordo com os investigadores, o conteúdo das conversas analisadas indicaria ameaças dirigidas a jornalistas e também a pessoas que teriam contrariado interesses do empresário.

Entre os episódios mencionados nas investigações, a Polícia Federal afirma que Vorcaro teria feito ameaças contra o jornalista Lauro Jardim e também contra uma empregada doméstica. As apurações apontam ainda que o banqueiro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária registrada em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro.

Além disso, segundo a PF, o empresário teria acessado de forma indevida sistemas de diferentes instituições. Entre as plataformas citadas pelos investigadores estão sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF), do FBI e da Interpol.

Advogados

Em comunicado divulgado por meio de sua assessoria, Daniel Vorcaro afirmou que as mensagens atribuídas a ele foram interpretadas de forma equivocada e retiradas de contexto. O empresário sustenta que sempre manteve uma relação institucional com veículos de comunicação e profissionais da imprensa ao longo de sua carreira.

No comunicado, o banqueiro declarou que “jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto”.

Ele acrescentou: “Sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas”.

No mesmo posicionamento, Vorcaro também comentou o teor das conversas citadas nas investigações. Segundo ele, eventuais manifestações mais enfáticas teriam ocorrido em caráter privado e não tiveram o objetivo de intimidar qualquer pessoa.

O empresário afirmou: “Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência”.

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