Depoimento de Daniel Vorcaro na CPMI do INSS é remarcado para depois do Carnaval
Após pedido da defesa, oitiva do dono do Banco Master foi adiada para 19 de fevereiro
247 - O depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS foi adiado para depois do Carnaval. A oitiva, que estava prevista para quinta-feira (5), foi remarcada para o dia 19 de fevereiro, daqui a duas semanas. Segundo o G1, a informação foi confirmada nesta terça-feira (3) pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG).
De acordo com o parlamentar, a decisão foi tomada após um pedido formal da defesa de Vorcaro à comissão. Em contrapartida, os advogados do banqueiro se comprometeram a não apresentar habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a dispensa do comparecimento ou o direito ao silêncio durante o depoimento.
STF libera Vorcaro para depor e encaminha inquérito à comissão
Ainda na terça-feira (3), o senador Carlos Viana se reuniu com o ministro do STF Dias Toffoli, responsável pelo inquérito que investiga o Banco Master. De acordo com o presidente da CPMI, o ministro concordou com a liberação de Daniel Vorcaro para prestar depoimento à comissão. Segundo Viana, Toffoli também se comprometeu a encaminhar parte do inquérito sobre o Banco Master para análise da CPMI do INSS.
Com a mudança, a CPMI do INSS deve ouvir no lugar de Vorcaro o presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior. A audiência está prevista para tratar da atuação do órgão em relação aos contratos de crédito consignado.
Contratos suspensos e falta de comprovação documental
Na semana passada, o senador Carlos Viana afirmou que o foco da comissão não é o escândalo financeiro envolvendo o banco, mas os contratos firmados para empréstimos consignados. De acordo com Viana, cerca de 250 mil contratos do Banco Master foram suspensos pelo INSS por falta de comprovação documental.
"Ele terá de explicar como o Banco Master adquiriu esses contratos e, se tantas pessoas que não tinham comprovação, como os descontos ocorreram sem autorização", disse o parlamentar. O senador também afirmou que Vorcaro será questionado sobre as medidas adotadas para a devolução dos valores cobrados de clientes prejudicados.
Reclamações contra o banco
Em novembro, a Secretaria Nacional do Consumidor encaminhou à CPMI um levantamento sobre reclamações contra instituições financeiras relacionadas ao crédito consignado. Segundo os dados, o Banco Master aparece como a 21ª instituição com mais registros entre 2019 e 2025, com um total de 5.665 reclamações. O banco não teve reclamações registradas em 2019 e contabilizou 11 em 2020. Em 2021, foram 76 registros. Já em 2023, o número ultrapassou mil, com 1.511 reclamações.
Já em 2025, o Banco Master alcançou o maior volume anual, com 2.472 reclamações, ocupando a oitava posição no ranking de contestações sobre crédito consignado. O número superou instituições como a Caixa Econômica Federal, com 2.012 registros, o Banco do Brasil, com 1.992, e o BRB, com 721.
INSS bloqueou R$ 2 bilhões em repasses ao banco
O INSS informou que cobrou por três vezes do Banco Master a apresentação de documentos que comprovem "a existência jurídica e a validade do consentimento" de aposentados e pensionistas em mais de 250 mil contratos de crédito consignado. Até o momento, os documentos não foram entregues. Diante disso, o instituto bloqueou em 26 de novembro de 2025 cerca de R$ 2 bilhões em repasses ao banco, até a conclusão da investigação interna sobre os contratos.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que "o Banco Master sempre atuou em estrita observância às normas e aos procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento".


