Em meio à ofensiva dos EUA na América do Sul, Paulo Figueiredo e Eduardo querem retomar sanções contra Moraes
'Eduardo e eu estaremos em Washington', confirmou o influenciador bolsonarista, neto do último líder da ditadura militar no Brasil, João Figueiredo. Vídeo
247 - O influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo afirmou que ele e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) têm um encontro previsto para esta sexta-feira (9), em Washington, com o objetivo de tentar retomar as sanções da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Nesta quarta-feira (7), Figueiredo afirmou que articulará para a volta das sanções anteriormente retiradas pelo governo de Donald Trump. O influenciador tratou como “extremamente possível” a retomada das sanções, em transmissão no YouTube.
“Certamente não é fácil, mas também não era fácil que ele fosse sancionado. Mais uma vez, Eduardo e eu estaremos em Washington, em reuniões em busca de uma política externa americana mais favorável ao Brasil”, afirmou o influenciador, que é neto do último líder da ditadura militar no Brasil, João Batista Figueiredo, que governou até 1985.
O ministro Alexandre de Moraes teve atuação de destaque nos últimos anos contra esquemas golpistas e de milícias digitais envolvendo principalmente políticos da extrema direita brasileira e aliados de Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista.
Já em setembro do ano passado, a Procuradoria-Geral da República denunciou Figueiredo e Eduardo pelo crime de coação no curso do processo. Conforme a PGR, o blogueiro e o ex-deputado ajudaram a promover “graves sanções” contra o Brasil para livrar Jair Bolsonaro de condenação pelo STF.
Ofensiva dos EUA contra a América do Sul
As tentativas de Figueiredo e Eduardo em pedir apoio dos EUA para interferir na soberania brasileira ocorrem em um cenário de intervenção do governo Trump na América do Sul. Forças estadunidenses sequestraram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no último final de semana e querem controlar o petróleo venezuelano. A Venezuela detém 303,8 bilhões de barris de petróleo, apontaram números divulgados pelo Instituto de Estatística de Energia. O número representa 17,5% da reserva comprovada de petróleo em nível internacional.
No último domingo (4), Trump também confirmou a possibilidade de uma intervenção militar na Colômbia, como uma medida que "soa bem", disse ele a bordo do Air Force One, a aeronave oficial, na noite deste domingo (4).
Antes de atacar a Venezuela e sequestrar Maduro, os EUA haviam anunciado o deslocamento de militares estadunidenses para supostamente combater o narcotráfico. Desde setembro de 2025, mais de 30 ataques em embarcações resultaram em mais de 100 mortes nas regiões do Caribe e do Pacífico, em áreas próximas ao continente sul-americano.
Conforme destacaram líderes e analistas, Trump também pretende conter a cooperação cada vez mais estreita da América Latina com a China, com o BRICS e com o Sul Global.
Retirada de sanções
Em 12 de dezembro de 2025, o governo Trump informou a retirada de sanções contra Moraes. Também foram retirados das retaliações Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e o Instituto Lex, entidade vinculada à família.
A decisão foi anunciada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão ligado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, responsável pela administração e revisão das sanções econômicas aplicadas pelo país.
As sanções contra Alexandre de Moraes haviam sido impostas no fim de julho pelo governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Em setembro, a lista foi ampliada para incluir Viviane Barci de Moraes. Com o comunicado desta sexta-feira, todos os nomes foram oficialmente retirados do rol de pessoas sancionadas.
A Lei Magnitsky é um instrumento da legislação dos EUA que permite a aplicação unilateral de punições a indivíduos estrangeiros acusados de violações de direitos humanos. Entre as medidas previstas estão o bloqueio de bens, contas bancárias e interesses financeiros sob jurisdição dos Estados Unidos, além da restrição de entrada no território estadunidense.
Quando anunciou as sanções, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos afirmou que Alexandre de Moraes teria violado a liberdade de expressão e autorizado prisões classificadas como arbitrárias. As acusações mencionaram decisões relacionadas ao julgamento da tentativa de golpe de Estado e medidas adotadas contra empresas de mídia social dos Estados Unidos.
À época, o secretário do Tesouro, Scott Besset, declarou que Moraes seria responsável por uma campanha de censura, por detenções consideradas arbitrárias e por processos classificados como politizados, “inclusive contra o ex-presidente Jair Bolsonaro”.



