Governo paga menos de 1% das emendas obrigatórias até junho
Execução de apenas 0,6% das emendas previstas na LDO expõe atraso no pagamento de R$ 17,3 bilhões no primeiro semestre
247 - O governo federal executou apenas uma fração mínima das emendas parlamentares que precisa quitar até junho, conforme o calendário estabelecido pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Até agora, foram pagos R$ 102,3 milhões, o equivalente a 0,6% dos R$ 17,3 bilhões previstos para o primeiro semestre, segundo dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop), informa o G1.
A LDO define as regras para elaboração do Orçamento anual e estabelece, entre outros pontos, o equilíbrio entre receitas e despesas da União. No cronograma aprovado, está previsto o pagamento de 65% das emendas individuais e de bancada destinadas a fundos de saúde, assistência social e transferências especiais — as chamadas “emendas PIX”, que podem ser aplicadas livremente.
Do total já pago, R$ 74,7 milhões correspondem a emendas apresentadas por deputados e R$ 27,7 milhões a recursos indicados por senadores. Ao todo, 160 emendas foram beneficiadas, todas voltadas exclusivamente a ações do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Apesar de serem impositivas — ou seja, de pagamento obrigatório —, a liberação desses valores depende do fluxo financeiro determinado pelo Executivo.
Na distribuição por partidos, o PL lidera o volume de recursos recebidos, com R$ 16,9 milhões. Em seguida aparecem Republicanos e PSD, ambos com R$ 16,6 milhões. Também figuram entre os cinco partidos mais contemplados o PT, com R$ 7,2 milhões, e o União Brasil, com R$ 7,4 milhões.
Além dos valores efetivamente pagos, o governo empenhou cerca de R$ 1 bilhão em emendas — etapa em que há compromisso formal de pagamento. No entanto, apenas R$ 389,8 milhões desse montante atendem aos critérios exigidos, o que representa cerca de 2% do total obrigatório previsto para o período.
No Orçamento de 2026, o Congresso aprovou R$ 49,9 bilhões em emendas parlamentares. Desse total, R$ 17,3 bilhões devem ser pagos no primeiro semestre, enquanto outros R$ 20,5 bilhões em emendas individuais e de bancada permanecem autorizados sem prazo definido, mas com execução obrigatória.
Há ainda R$ 12,1 bilhões em emendas de comissão, cuja liberação depende de decisão política do governo, já que não são impositivas. Até o momento, nenhuma dessas emendas foi empenhada ou paga.


