Ibaneis pressionou BRB por desfecho na compra do Master
Mensagens analisadas pela PF mostram cobrança de Ibaneis Rocha por solução na negociação entre BRB e banco Master investigada por suspeita de fraude
247 - O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), pressionou a direção do Banco de Brasília (BRB) por uma definição na tentativa de aquisição do banco Master, em meio a um cenário de crise e suspeitas de irregularidades. Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que o então chefe do Executivo local cobrava um desfecho para a operação, que acabou sendo barrada pelo Banco Central.
De acordo com informações do jornal O Globo, a Polícia Federal investiga indícios de fraude na negociação entre o BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, e o banco Master, de propriedade do empresário Daniel Vorcaro. Conversas de WhatsApp entre os envolvidos, incluindo Ibaneis, estão sendo analisadas para reconstituir os bastidores da operação.
Em uma das mensagens, enviada em junho de 2025 ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, Ibaneis demonstrou insatisfação com o andamento da negociação. “Não vou suportar esse desgaste”, escreveu, ao afirmar que o processo estava “gerando mais desgaste do que deveria”.
Procurado, Ibaneis confirmou que cobrava uma solução para a negociação, mas negou qualquer tipo de influência externa. Segundo ele, não houve pressão de grupos políticos nem do empresário Daniel Vorcaro. A defesa do ex-governador sustentou que a preocupação era natural, diante dos impactos que o caso poderia ter no Distrito Federal.
As investigações apontam que, durante as tratativas, Vorcaro afirmava manter contato com Ibaneis e relatava ter recebido referências positivas sobre o então governador no início das negociações. Ibaneis, por sua vez, reconheceu encontros ocasionais com o banqueiro em eventos sociais, mas negou qualquer discussão sobre negócios financeiros.
A operação enfrentou dificuldades após o Banco Central identificar inconsistências em carteiras de crédito do Master, adquiridas pelo BRB por cerca de R$ 12 bilhões. As suspeitas levaram a autoridade monetária a intensificar a fiscalização, culminando no veto à compra em setembro de 2025.
Sem conseguir sustentar suas operações após uma série de resgates de investimentos, o banco Master acabou sendo liquidado em novembro do mesmo ano. A partir disso, o BRB passou a enfrentar dificuldades financeiras, incluindo problemas de enquadramento regulatório e captação de recursos.
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, defendeu à Polícia Federal que a aquisição do Master fazia parte da estratégia de expansão da instituição e tinha justificativa técnica. Ele não comentou as mensagens reveladas.
Para avançar nas apurações, a Polícia Federal tem cruzado dados de celulares de executivos envolvidos e busca montar uma linha do tempo detalhada das negociações. Os investigadores também consideram a possibilidade de colaboração de Daniel Vorcaro para esclarecer se houve influência política na tentativa de socorrer o banco privado.
Com o fracasso da operação, o Banco Central passou a exigir medidas para reequilibrar o BRB, incluindo a constituição de provisões bilionárias e a necessidade de aporte de capital pelo governo do Distrito Federal. Até o momento, porém, não houve solução definitiva.
Em março deste ano, pouco antes de deixar o cargo para disputar o Senado, Ibaneis solicitou ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) a abertura de negociações para um empréstimo ao governo local, destinado a reforçar o capital do BRB. A condução das tratativas passou para a atual governadora, Celina Leão.
Recentemente, Celina se reuniu com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e representantes do mercado financeiro em busca de alternativas para estabilizar o banco. Entre as opções em análise está a venda da carteira de crédito do Master, o que poderia gerar cerca de R$ 4 bilhões em recursos imediatos, embora sem resolver completamente o problema estrutural da instituição.


